O empreendedorismo social e o combate à pobreza no Brasil

Enviada em 14/11/2021

O filme “Cruella”, lançado em 2021 pela Disney, exterioriza a difícil e ambiciosa luta da personagem Estela em trabalhar no mundo da moda e lançar sua própria marca. No entanto, fora da ficção não é diferente, uma vez que muitos indivíduos enfrentam várias barreiras que os impedem de impulsionar seus projetos empresariais e alcançar uma estabilidade financeira. Dessa forma, apesar da importância do empreendedorismo social para combater a pobreza, isso ainda é um desafio no Brasil, que ocorre devido não só à ineficiência das leis nacionais, mas também ao capitalismo enraizado na sociedade.

Convém ressaltar, a princípio, que o cenário supracitado contraria o disposto na legislação brasileira. Isso, porque a Constituição Federal assegura que é dever do Estado garantir o progresso nacional e conter as desigualdades sociais. Contudo, é desalentador notar que essas diretrizes não são plenamente aplicadas, visto que, mesmo o país ocupando o terceiro lugar mundial em números de empreendedores, conforme o Sebrae, as autoridades não se preocupam em  incentivar essas pessoas e dificultam o processo de abertura de novas empresas cobrando várias ações burocráticas. Sob essa ótica, há um risco de as normas mencionadas serem extintas, pois os cidadãos, sobretudo os mais pobres, se constragem diante de tamanhas exigências e desistem de apostar nas próprias iniciativas. Tal cena configura-se como contraproducente e não pode ser negligenciado.

Outrossim, é importante pontuar que a preferência dos consumidores nacionais por mercadorias internacionais é outro fator que contribui para a perpetuação desse empecilho. Segundo o físico alemão, Albert Einstein, a anarquia econômica da sociedade capitalista hodierna é a verdadeira fonte dos males. De fato, esse sistema sempre estimulou os brasileiros a valorizarem mais as marcas estrangeiras e acreditarem que elas oferecem uma qualidade ímpar, todavia a propagação desse pensamento foi facilitada ainda mais com a globalização mundial atrelado aos avanços tecnológicos da Terceira Revolução Industrial. Prova disso, é que no período de pandemia muitas lojas locais e virtuais foram fundadas, mas o povo ainda exaltou e comprou muitos artigos “gringos” como os da SHEIN (comércio eletrônico chinês), aumentando a falência de pequenos empreendimentos.

Infere-se, portanto, que meios precisam ser clarificados para mitigar os obstáculos que atrapalham o sucesso desses projetos. Nesse sentido, cabe ao governo federal, ente responsável pelo bem-estar coletivo, arquitetar um plano em favor da população, por meio da elaboração de políticas públicas que flexibilizem as burocracias para instituir novas empresas, a fim de promover cada vez mais o empreendedorismo e erradicar a probreza nacional. Ademais, é imprescindível conscientizar a sociedade a reconhecer o empenho de comécios locais e a criatividade de profissionais como Estela.