O espaço das mulheres no cenário político

Enviada em 23/08/2026

Na obra cinematográfica “As sufragistas”, retrata-se a luta das mulheres britânicas do início do século XX pela conquista do voto feminino. Em consonância com o cenário fictício apresentado está a condição feminina atual, dado que o crescente conservadorismo acentuou a parcela da sociedade que defende a restrição da participação política feminina. Isso sucede pela fragilidade dos mecanismos institucionais destinados à contenção da misoginia. Nessa conjuntura, é preemente que essa chaga social seja resolvida, a fim de garantir paridade política de gênero.

Sob tal perspectiva, o cenário exposto anteriormente evidencia como a ampliação feminina na sociedade representou um avanço civilizatório, de modo que seu retrocesso configura grave violação da cidadania, que por sua vez surge como falha estatal em efetivar mecanismos capazes de assegurar seu efetivo exercício por toda a população. Outro ponto relevante nesta temática se manifesta pela ausência de mecanismos jurídicos eficazes para coibir discursos misóginos, como no caso da influenciadora Pietra Bertolazzi, que fez uso de suas redes socias para se declarar contrária ao voto feminino, evidenciando a tolerância ao sexismo.

Tal volatividade, que concerne às relações sociais no contexto recente, provoca um conflito relativo à ficção distópica “O conto de aia”, de Margaret Atwood, no qual a instauração de um regime teocrático resulta na supressão de direitos e da autonomia das mulheres, evidenciando os perigos do retrocesso de conquistas sociais. Assim, nesse ciclo de causas e consequências, nota-se que a tolerância de manifestações de discriminalização de genêro pode pavimentar o caminho para o retrocesso representado por Margaret. Portanto, cunhado pela filósofa Simone de Beauvoir, a garantia formal de direitos não assegura, por si só, sua efetivação social. Nessa vereda, cabe ao Estado garantir a aplicabilidade das normas vigentes.

Infere-se, consequentemente, a urgência da proteção do espaço das mulheres no cenário politíco. Logo, é imperiosa a atuação do Ministério da Justiça na garantia do cumprimento da legislação vigente, que deve, por meio da ampliação dos meios de fiscalização e responsabilização de ações misóginas, com o fito de coibir sua naturalização e assegurar a participação feminina na esfera pública. A partir dessas execuções, preservar-se-ão o legado sufragista e a plena cidadania feminina.