O espaço das mulheres no cenário político

Enviada em 27/06/2023

Em primeiro de janeiro de 2011, toma posse a primeira presidenta na história do Brasil, contudo, segundo a Universidade Livre Feminista, as mulheres continua-vam sendo a minoria nos espaços políticos, representando 22% das candidaturas. Sob essa ótica, torna-se pertinente uma análise acerca do espaço das mulheres no cenário político. É importante notar, diante disso, que a baixa taxa de participação política feminina traz o retrato não só de um país em dívida com as mulheres, co-mo também mostra uma fragilidade no sistema democrático brasileiro.

Em primeiro lugar, o cenário atual pode ser explicado por uma perspectiva his-tórica. Por certo, o voto direto no Brasil existe desde os tempos do império, porém, foi somente na Constituição de 1934 que o voto feminino foi aderido. Como discor-re a ativista Angela Davis em seu livro “Mulheres, raça e classe”, a conquista pelo sufrágio feminino é uma forma de resistência às políticas predatórias ao sexo femi-nino, uma vez que luta contra um sistema que não fornece as devidas ferramentas para igualdade sexual. Assim, enquanto as mulheres - que são maioria em nosso país - não ocuparem uma boa porcentagem nas cadeiras de decisão nacional, a na-ção terá uma dívida com elas.

Outrossim, vale destacar o problema no sistema democrático como um todo. Desde sua gênese, na Grécia Antiga, a democracia, como meio de debate para fins políticos, era restrito aos homens livres. Atualmente, pode-se traçar um paralelo entre esses homens e os homens de altas classes socias, de modo que são a maio-ria a ocupar cargos políticos e de se benificar com as coetâneas políticas de austeri-dade fiscal. Destarte, as mulheres pobres se encontram em maior estado de vulne-rabilidade política, até que ações públicas sejam tomadas efetivamente.

Portanto, medidas devem ser traçadas para remediar os problemas supracita-dos. Logo, podendo se tornar um ator nessa mudança, o Governo Federal - dotado de ferramentas de alcance nacional - juntamente com o Ministério dos Direitos Hu-manos e o renovado Ministério da Mulher, podem planejar políticas públicas efici-entes. Logo, ações afirmativas como cotas para mulheres em espaços de adminis-tração política, que também prezem pela capacitação profissional, são uma alter-nativa viável. Desse modo, teremos uma sociedade mais inclusiva e justa.