O espaço das mulheres no cenário político
Enviada em 17/08/2023
Campanhas eleitorais, propostas de governos e aceitação por parte da sociedade são alguns obstáculos a serem superados por quem quer se dedicar a carreira política. Mas, se o cargo é disputado por uma mulher, há muitos outros obstáculos para essa mulher chegar ao mesmo lugar que outro homem concorre. Por muito tempo as mulheres foram afastadas da vida política, e sem ter quem as representasse, de fato, criou-se um abismo cada vez maior que até hoje torna difícil o avanço de políticas públicas voltadas para essa parcela (que é cerca de 51% dos eleitores brasileiros).
Em primeira análise, a participação feminina na política, seja como candidata ou como eleitora, é incontestável. Enquanto eleitoras, podem expressar da melhor forma quem as representa e enquanto candidatas podem lutar de forma mais ávida pelas pautas femininas. Um exemplo disso, é a existência de vagões exclusivamente femininos em trens e metrôs, essa foi uma luta com posterior sucesso da vereadora Matha Rocha do RJ. Isso trouxe mais segurança e conforto às usuárias de tais transportes.
Em segunda análise, deve-se reconhecer que há mecanismos que já vigoram e garantem a participação feminina na política. A lei de cotas eleitorais, por exemplo, garante mínimo de 30% e máximo de 70% de determinado gênero para que os partidos possam lançar seus candidatos. Mas, muitas vezes isso é feito sem nenhum compromisso com a honestidade e as candidatas nomeadas são apenas para atingir a cota e tornar legal a participação do partido naquela eleição. Percebe-se que a política brasileira parece resistir aos avanços da sociedade atual, já que, mesmo depois de quase cem anos do início da participação feminina na política esse cenário sofreu alterações bem discretas.
Sendo assim, é importante que tanto o Estado como os partidos possam se comprometer com eleições mais igualitárias. O Estado, conscientizando o cidadão sobre tal importância e os partidos trabalhando honestamente para que as leis já existentes sejam efetivas no fim para que foram criadas. A sociedade também não deve se eximir do seu papel de cobrar e apurar se os que foram escolhidos para representá-la estão podendo fazer isso integralmente, independente do gênero.