O espaço das mulheres no cenário político
Enviada em 06/09/2023
A escritora contemporânea Chimamanda Ngozi defende a tese que a capacidade de liderança não depende da força física, e sim da inteligência, da disposição à inovação e da gentileza; dessa forma, ela disserta sobre a igualdade de potencial de protagonismo entre os gêneros. Entretanto, apenas da plena capacidade de participação das mulheres na política, elas ainda são minoria no cenário governamental brasileiro. Esse quadro problemático se dá apesar dos amplos avanços da narrativa feminista e devido à persistência dos estereótipos de gênero no corpo social.
Em primeiro plano, há de se considerar que a evolução dos direitos femininos parte da luta progressista pelo estabelecimento de um novo conceito de gênero, esse oposto ao determinismo biológico que justifica a imposta submissão das cidadãs. Nesse aspecto, a célebre filósofa Judith Butler define gênero enquanto construção social, e assim desconstrói a ideia de comportamento intrínseco ao sexo. Dessa maneira, a mulher é colocada como ser humano autônomo e capaz de ocupar diversos lugares na sociedade.
Porém, em contrapartida ao progresso social feito nas últimas décadas, as caricaturas de gênero ainda são impostas, e como efeito, mutilam a plena participação dessa minoria social. Seguindo essa linha de pensamento, o sociólogo Adorno afirma que os estereótipos - apresentados principalmente na mídia - restringem a liberdade humana e produzem visões pré-estabelecidas de si e de outrém. Em consonância com tal análise, observa-se que o baixo protagonismo feminino na política -12% do Senado Federal em 2023 - perpetua-se pela manutenção dos papéis de gênero.
Em suma, é evidente a necessidade de combater as ideias pré-definidas de gênero, para expandir as possibilidades políticas das brasileiras. Nesse aspecto, cabe ao Poder Executivo reforças narrativas de liderança feminina mediante palestras sobre mulheres inspiradoras nas escolas, pois ali se encontra a próxima geração de líderes. Tais ações devem objetivar o incentivo da ocupação de espaços de poder pelas meninas. Dessa forma, as características necessárias para liderar descritas por Ngozi serão valorizadas, independente do gênero.