O espaço das mulheres no cenário político
Enviada em 23/08/2023
O quadro expressionista” O grito”, do pintor norueguês Edvard Munch, retrata a inquietude, o medo e a desesperança refletidos no semblante de um personagem envolto por uma atmosfera de profunda desolação. Para além da obra, observa-se que, na conjuntura brasileira contemporânea, o sentimento de milhares de indivíduos assolados pela a baixa representatividade feminina nos cargos políticos é, amiudadamente, semelhante ao ilustrado pelo artista. Nesse viés, torna-se crucial analisar as causas desse revés, dentre as quais destacam o machismo estrutural e a falta de representatividade feminina.
Em primeiro lugar, constata-se o machismo estrutural presente na sociedade. Sob esse viés, é lícito referenciar o pensamento do professor israelense Yuval Harari, o qual, na obra “21 Lições para o Século XXI”, afirma que grande parte dos indivíduos não são capazes de perceber os reais problemas do mundo, o que favorece a adoção de uma postura passiva e apática. Por certo, a cultura machista, que há séculos relega as mulheres a um papel secundário na sociedade, ainda se faz presente no ambiente político. Segundo reportagem da CNN, o ator José de Abreu compartilhou nas redes sociais uma publicação com ameaças à deputada. Nessa ótica, para a deputada Sâmia de Souza Bonfim, “o machismo é estrutural, e está presente em todos os espaços da sociedade (…) e na política, não seria diferente!”.
Ademais, é importante considerar, antes de tudo, e a falta de representatividade feminina. Sob essa problemática, a ausência de mulheres nas Câmaras, Senados e Congressos perpetua um ciclo de falta de representantes: as cidadãs que votam sentem que não são ouvidas; as que foram eleitas, deparam-se com um cenário político como o de 2022, com 302 mulheres eleitas perante 1.394 homens eleitos, conforme dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Nesse panorama, as mulheres carecem de representantes que lutem por seus direitos e ficam reféns do patriarcado.
Sendo assim, cabe ao Governo Federal, por meio de uma mudança na lei nº 9.504/97, aumentar a porcentagem obrigatória de mulheres candidatas por partido de 30% para no mínimo 40%, a fim de igualar a participação feminina na política. Desta maneira, quiçá a mulher começará a ser vista no cenário político.