O espaço das mulheres no cenário político

Enviada em 10/08/2023

Manoel de Barros, grande poeta pós-modernista, desenvolveu em suas obras uma “teologia do traste”, cuja principal característica reside em dar valor às situações frequentemente esquecidas ou ignoradas. Seguindo a lógica barrosiana, faz-se preciso, portanto, valorizar também a problemática do espaço das mulheres no cenário político, ainda que elas sejam estigmatizadas por parte da sociedade. Nesse sentido, mitigar os males relativos a essa temática, é importante analisar a negligência estatal e a educação brasileira.

Primordialmente, é necessário destacar a forma como parte do Estado costuma lidar como a desvalorização da política feminina no Brasil. Isso porque, como afirmou Gilberto Dimenstein, em sua obra “Cidadão de papel”, a legislação brasileira é ineficaz, visto que, embora aparente ser completa na teoria, muitas vezes, não se concretiza na prática. Prova disso é a escassez de políticas públicas satisfatórias voltadas para aplicação do artigo 6º da constituição Cidadã, que garante, entre tantos direitos, a saúde. Isso é perceptível seja pela pequena campanha de conscientização acerca da necessidade da política feminina, seja pelo pouco espaço destinado às campanhas femininas. Assim, infere-se que nem mesmo o princípio jurídico foi capaz de garantir o espaço político feminino.

Outrossim, é igualmente preciso apontar a educação, nos moldes predominantes no Brasil, como outro fator que contribui para a manutenção dos desafios para garantir o espaço da mulher no cenário político. Para entender tal apontamento, é justo relembrar a obra “Pedagogia da Autonomia”, do patrono da educação brasileira Paulo Freire, na medida em que ele destaca a importância das escolas em fomentar não só o conhecimento técnico-científico, mas também habilidades socioemocionais, como respeito e empatia. Sob essa ótica, pode-se afirmar que a maioria das instituições de ensino brasileira, uma vez que são conteudistas, não contribuem no combate ao estigma relacionados a desvalorização das políticas femininas na sociedade contemporânea.

Em virtude dos fatos mencionados, medidas devem ser tomadas para modificar esse panorama. Logo, cabe ao Ministério da Educação, em parceria com as secretarias municipais de educação, promover debates e palestras dentro das escolas, por meio de verbas governamentais, que expliquem a importância das mulheres que sofrem esse estigma na consolidação dos direitos e da representatividade da comunidade dentro da sociedade brasileira, para que crianças e adolecentes

tornem-se futuros adultos conscientes do respeito e da valorização da política feminina.