O espaço das mulheres no cenário político
Enviada em 17/08/2023
Na obra “A era dos direitos”, o filósofo Roberto Bobbio aponta que não existe cidadania onde não há equidade. Nesse contexto, o acesso desigual à política, representada majoritariamente por homens nas três esferas do poder, materializa um grande empecilho ao estabelecimento da justiça social. Diante disso, para mitigar os efeitos deletérios da questão, como a falta de representatividade feminina na condução das pautas diárias, cabe ao Estado intervir na correção desse problema histórico, com o devido apoio da sociedade civil.
Sob esse viés, tem-se que a atuação governamental diligente é preponderante para o reconhecimento do problema e para a tomada das devidas medidas de controle. Nesse ínterim, o sociólogo Pierre Bourdieu elabora o conceito de “Violência simbólica”, aquela que já é tão naturalizada que passa a ser invisível. Entende-se, em conformidade com o autor, que o Estado é responsável pela desconstrução dessa noção, como no exemplo do machismo na política, o qual afasta cada vez mais as mulheres da igualdade de gênero sem que, muitas vezes, elas mesmas percebam. Dessa feita, é imperioso que o governo proteja as cidadãs dessa “invisibilidade” nociva.
Outrossim, salienta-se que a sociedade não pode eximir-se de seu papel frente ao tema. Nessa seara, o antropólogo Roberto DaMatta critica a inércia do brasileiro, por esperar que soluções milagrosas surjam apenas do Estado. Por outro lado, em relação às desigualdades na política, é essencial que o assunto seja mais discutido, para que, por meio do conhecimento e do combate à violência simbólica, possa ser manejado. Afinal, apenas a conscientização pública efetiva pode tornar clara a gravidade da questão.
Destarte, depreende-se que o Estado e a sociedade são corresponsáveis por garantir o acesso feminino à política. Logo, cabe ao Congresso Nacional, por meio de processo legislativo, a abertura de uma comissão especial que atue na proposição de leis corretivas para as injustiças de gênero da política. Para isso, os parlamentares deverão ouvir especialistas que cooperem com a pluralidade dos trabalhos, além de conscientizar a população nas escolas e universidades. Assim, gradualmente, a equidade ascendente viabilizará a cidadania.