O espaço das mulheres no cenário político
Enviada em 19/10/2023
A Constituição de 1988 foi um marco na história brasileira, pois foi a primeira vez que o país teve uma constituição que tem como uma de suas bases o direito da mulher no meio político. No entanto, esse avanço se mostrou insuficiente, visto que o percentual das mulheres no cenário atual político é bem baixo comparado com a dos homens. Nesse contexto, deve-se analisar como a negligência estatal e a secundarização dos direitos no Brasil impulsionam tal problemática, com o intuito de solucioná-la.
Diante desse cenário, nota-se a inoperância governamental como fator agravante no impacto da baixa representatividade feminina no meio político. De acordo com o geógrafo Milton santos, em seu texto “As Cidades Mutiladas”, a cidadania atinge à plenitude de sua eficácia quando os direitos do corpo social, em sua totalidade, são homogeneamente desfrutados. Todavia, no contexto hodierno, a passividade do Estado distancia a população negligenciada dos direitos constitucionalmente garantidos, à medida que, a falta de espaço da mulher na política traz átona o descumprimento de seu real direito. Dessa forma, enquanto a máquina pública negligenciar suas responsabilidades, o problema perdurará e a mulher continuará a ser mutilada de forma sistemática na política.
Além disso, é notório como no Brasil houve uma secundarização histórica dos direitos. Nesse sentido, no livro “A Elite do Atraso”, o autor brasileiro Jessé Souza discorre sobre como o desenvolvimento no Brasil foi guiado por uma elite interessada apenas nos lucros rápidos e todos os direitos da população ficaram à mercê e, como consequência, um cenário onde a inclusão feminina na política ficou em segundo plano, percebendo-se uma baixa quantidades de mulheres no cenário político.
Em suma, o cenário exige uma ação robusta do Estado e da sociedade civil. Portanto, a União, por meio do Ministério do Planejamento, deve criar um plano de apoio, como palestras e companhas, com fundo próprio, apoiando a inclusão feminina na política brasileira. Além disso, a sociedade deve se unir para eleger representantes que visem contribuição de mulheres nesse meio. Assim, garantindo os direitos dos constituintes de 1988.