O espaço das mulheres no cenário político

Enviada em 26/01/2024

Desde o surgimento da democracia ateniense, a participação na vida política era distanciada das mulheres. Nesse sentido, apesar de haver uma evolução notável na sociedade brasileira contemporânea quanto ao direito de voto feminino, a presença de representantes políticos desse gênero ainda é limitada no país, seja pela lenta mudança na mentalidade social, seja pela inação governamental em combater essa disparidade.

Sob tal ótica, pode-se apontar a persistência da visão patriarcal como um obstáculo para que as senhoras possam ocupar cargos federais. Dessarte, segundo Maya Angelou, poetisa estadunidense, o preconceito ameça o passado, confunde o futuro e torna o presente inacessível. Nesse viés, tal reflexão da autora é um retrato da vida feminina na democracia do país, já que o machismo relaciona a mulher ao espaço doméstico e invalida a capacidade desse sexo para a tomada de decisões em posições de liderança. Desse modo, a representatividade das brasileiras em funções estatais permanece restrita por tal ótica preconceituosa. Logo, urge combater esse pensamento deturpado para a valorização da contribuição política desse grupo.

Além disso, a negligência do Estado fomenta a exclusão da feminilidade nesse ramo. Sob esse cenário, a Constituição Federal de 1988 defende que todos têm o direito de participação nos assuntos públicos. Contudo, tal ideal constitucional não se insere na realidade das cidadãs do Brasil, já que a sociedade verde-amarela carece de políticas públicas federais, como a inclusão de ações afirmativas para as mulheres na formação parlamentar. Dessa forma, essa inoperância persiste como um desafio que viola a integridade da carta magna e que dificulta a atuação femina no planejamento cotidiano.

Portanto, medidas precisam ser tomadas para ressignificar a representação do gênero citado nessas funções públicas. Para isso, cabe ao Tribunal Superior Eleitoral, órgão de maior instância quanto às eleições, criar cotas, por meio de uma lei, com o fito de facilitar o ingresso dessa parcela social na composição do Senado, apesar da visão preconceituosa que ainda reside na sociedade. Assim, a partir de tal ação, a política brasileira se distanciará da democracia excludente ateniense.