O espaço das mulheres no cenário político
Enviada em 11/07/2024
Dilma Roussef foi a primeira presidenta do Brasil, entretanto, durante os seus mandatos, ela foi motivo de ofensas e ridicularizações misógenas por uma parte da população. Diante disso, é importante analisar alguns desafios enfrentados pelas mulheres no cenário político, entre eles a baixa representatividade feminina no legislativo e a visão ultrapassada do papel social da mulher.
Em um primeiro momento, uma das dificuldades enfrentadas pelas mulheres no cenário político nacional é a baixa representatividade feminina no legislativo, visto que, com menos representantes no poder, os direitos e interesseres do grupo, muitas vezes, não são defendidos. A título de exemplo, a Lei das Eleições propõe uma cota partidária mínima de 30% de participantes mulheres, porém, na maioria dos casos, tal decisão é fraudada para permitir a maior participação masculina. Consequentemente, o espaço das mulheres no cenário político é restringido e desrespeitado.
Em uma segundo instante, a visão ultrapassada do papel social feminino é um dos empecilhos para a participação feminina no cenário político, dado que, tal perspectiva, limita o espaço da mulher apenas ao ambiente familiar e doméstico. Tal perspectiva machista e patriarcal faz com que muitas mulheres não se sintam engajadas a entrar no cenário político do seu país. Segundo a intelectual Simone de Beauvouir “não se nasce mulher, torna-se mulher”. Em outras palavras, a sociedade constrói o que é ser mulher e, infelizmente, perpetua uma visão misógina e opressiva da mulher.
Portanto, a baixa representatividade feminina no legislativo e a visão ultrapassada do papel social feminino são alguns dos desafios enfrentados pelas mulheres no cenário político. Posto isso, cabe Ministério Público fiscalizar o cumprimento da Lei das Eleições e impedir que a atuação de candidatas laranjas prejudiquem a participação feminina no poder. Além disso, cabe ao Governo Federal, em parceria com o Tribunal Superior Eleitoral, por meio de propagandas, estimular a participação feminina no cenário político brasileiro. Com isso, a fim de que as mulheres tenham os seus direitos e interesses respeitados e defendidos, fazendo com que o que foi vivenciado pela ex-presidenta não se repita.