O espaço das mulheres no cenário político
Enviada em 07/10/2024
Em “Otelo”, obra literária do dramaturgo inglês William Shakespeare, é narrada a história de Otelo, general mouro a serviço do reino de Veneza. Na trama, Iago - alferes veneziano, afirma que as relações humanas, em sua gênese, são dotadas de ações prejudiciais a harmonia coletiva, mecanismo utilizado pelo autor para exaltar o teor retrógrado da sociedade. Paralelamente, a quase inexistência de espaço para mulheres no cenário político também é um retrocesso para a perspectiva brasileira. Nesse ínterim, entende-se o patricarcalismo e o conjunto de normatizações da cultura brasileira como causas do obstáculo.
De início, é lícito pontuar o patriarcado como potencializador do entrave. Isso porque, embora a Declaração dos direitos do homem e cidadão, de 1789, garanta a ambos os sexos o princípio da isonomia, a disparidade de cargos, quando analisada a participação feminina no setor político, impossibilita a igualdade de gêneros na nação, uma vez que a concepção de hieraquizar homens e mulheres a funções distintas, distanciou a mulher da esfera política. À luz dessa perspectiva, a ação do patriarcalismo aprisionou a mulher ao ambiente doméstico, ao repetir, com isso, ciclos de injustiças sociais. Sob essa ótica, de acordo com Talcott Parsosn, sociólogo americano, as divisões da sociedade são frutos das divisões morais dos lares. Desse modo, é revoltante que mulheres tenham concepções limitadas sobre o ambiente político em razão do caráter misogino e destoante do patriarcalismo.
Além disso, os estímulos culturais vigentes não permitem a idealização do mulherio à vida política. Nesse raciocínio, a escassez de representatividade e assimilação de mulheres no cenário político impede que mais cidadãs almejem a participação política, haja vista ainda ser pouco expressivo o quantitativo de candidaturas e eleições de mulheres. Nessa conjectura, Jurgen Habermas, filósofo alemão, defende a cultura como meio de enxergar e se posicionar no mundo. À vista dessa asserção, os mecanismos culturais agem a favor da predominância masculina na política, enquanto a parcela feminina continua em segundo plano.
Dessa maneira,infelizmente, inúmeras mulheres desconsideram a vida política por não enxergarem possibilidades de agregação no corpo social.