O espaço das mulheres no cenário político
Enviada em 02/08/2024
A filósofa Djamila Ribeiro afirma que é preciso tirar situações de invisibilidade para que soluções sejam encontradas. De maneira análoga a isso, esse tipo de colocação reflete significamente na realidade atual, visto que, o espaço das mulheres no cenário político é insuficiente e frágil. Dessa forma, o legado histórico brasileiro e a omissão social são empasses nessa trama.
Nesse contexto, as questões socioculturais no Brasil são um espelho da escassa participação feminina na política. Em suma, o patriarcado influencia na superioridade do homem e diminui as mulheres com afirmações de incapacidade, como por exemplo na retirada do direito feminino ao voto, impedindo-as de participarem das decisões eleitorais. Todavia, a conquista do voto pelo movimento feminista em 1932, é um exemplo clássico da luta de igualdade de gênero. Sendo assim, é notório que o pensamento histórico de incompetência está enraizado na sociedade, e combatê-lo deveria ser prioridade .
Ademais, o silenciamento social também mantém o agravamento do problema. Afinal, a falta de incentivo das escolas e familiares, complexifica o interesse do sexo feminino por profissões ocupadas marjoritariamente pelo sexo masculino. Em decorrência disso, universos são separados, e não cogita-se a possibilidade de agrupamento. Uma ilustração, é que apesar da consciência igualitária atual, sem a vontade populacional de mudar o meio, as práticas continuam as mesmas, pois direitos não se tornam realidade. Consoante a isso, Aldous Huxley explica que os fatos não deixam de existir apenas por serem ignorados. Conforme a ideia do autor, o raro apoio para essa integração não mudará a emblemática, reverberando um descaso público de equidade no convívio social.
Portanto, é dever do Ministério das Mulheres- órgão responsável pela estruturação de políticas femininas- junto à família, criarem medidas para mudar o âmbito civil. Essa ação ocorrerá por meio do desenvolvimento de projetos sociais e da incentivação de práticas femininas no ambiente masculino, visando diminuir a segregação de gênero e ampliar espaços na servidoria pública. Assim, mais uma situação sairá de invisibilidade, como deseja Djamila.