O espaço das mulheres no cenário político
Enviada em 05/10/2024
Na passagem do século XX para o século XXI, o direito foi estendido à parcela feminina da população, prerrogativa ampliada pela Constituição Federal de 1988, a qual garantiu, para além do direito ao voto, a plena participação política. Todavia, percebe-se que tal prerrogativa não vigora no tecido social brasileiro, tendo em vista a baixa participação feminina em cargos políticos, fato potencializado pela sociedade patriarcal em consonância com a dupla jornada de trabalho.
Primeiramente, cabe ressaltar que a sociedade desigual, apesar de prejudicial, não é novo. O livro “A falência”, escrito por Julia Lopes Almeida, retrata a história de Camila, a qual se vê imersa em uma sociedade patriarcal e é constantemente rebaixada pelos homens ao seu redor. Apesar de não concordar com a posição a ela imputada, não tem forças para mudar a sociedade. Nesse sentido, apesar do livro supracitado retratar o Brasil no período da República da Espada, o pensamento machista ainda vigora, fato comprovado pelo levantamento realizado pelo Observatório da Mulher contra a Violência, o qual constatou que mais de 50% das candidatas já foram silenciadas em cenário político.
Ademais, a múltipla jornada de trabalho vivenciada pela população feminina intensifica a persistência da problemática. Nesse sentido, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística revelou que as brasileiras dedicam quase o dobro de tempo aos afazeres domésticos quando comparadas aos homens. Esse é um desafio que afeta a participação das mulheres na política, pois a sobrecarga de trabalho pode impedir que elas se desenvolvam e participem mais dos espaços de poder. Dessa forma, é essencial superar esses entraves para garantir uma sociedade igualitária.
Portanto, é essencial que a problemática seja resolvida. Para tanto, urge que o Ministério da Educação crie o programa “Minha política, Minha inclusão”, o qual consistirá na ministração de palestras em todas as escolas públicas do Brasil, visando conscientizar as meninas sobre seus direitos e as integrar no cenário político brasileiro. Ademais, urge que a referida iniciativa conte com a presença de candidatas, para garantir a veracidade das informações e conscientizar os estudantes sobre o impacto de práticas misóginas.