O espaço das mulheres no cenário político

Enviada em 05/10/2024

A Constituição Federal de 1988 destaca que é dever do Estado assegurar a equidade à participação política de ambos os gêneros no país. Todavia, em virtude da ausência da mulher no cenário político ser uma realidade no Brasil, é válido reconhecer como o Poder Público age de modo ineficaz e, pior, não cumpre o seu papel social, conforme a Constitução. Sob essa perspectiva, é possível analisar a negligência estatal e o patriarcalismo como os pilares do problema.

De início, percebe-se que a falta de colaboração governamental fomenta a permanência do entrave na sociedade, uma vez que a inclusão feminina em decisões parlamentares torna-se obliterada. Segundo Aristóteles, filósofo grego, os cidadãos aptos a participarem de tomadas políticas são, exclusivamente, homens e donos de riquezas. Logo, isso pode ser verificado com as cadeiras do atual parlamento, estando em sua maior parcela ocupadas por governadores, e representantes do sexo masculino que negligenciam a presença da mulher nesses postos.

Além disso, vale ressaltar o patriarcalismo enraizado como um fator que dificulta a atenuação do empecilho, visto que a ideia de submissão feminina incentiva a desvalorização e a incapacitação da mulher, não permitindo que ela atinja a ascenção trabalhista e, sequer, a participação política. Pierre Bourdieu, sociólogo francês, define que a sociedade incorpora as estruturas sociais, isto é, a reproduz com naturalidade. Nesse viés, nota-se a atribuição feminina ao serviço doméstico por ideais machistas e patriarcais, estando essa pauta tampouca discutida, sendo o único propósito da mulher dar a luz e cuidar dos filhos. Isso, pois, uma sociedade acostumada com essa situação permite que a problemática continue evidente, não colaborando também com a Consitutuição Federal.

Urge, portanto, a adoção de medidas que combatam essa tribulação. Nesse sentido, o Governo deve eliminar o patriarcalismo e a negligência governamental, por meio de uma assembléia com partidos que buscam os direitos femininos. Assim, sintetizando cotas para as mulheres, além da sanção de uma lei que direcione a reclusão social àquele que praticar o machismo, para que, por fim, haja a democratização da participação feminina no cenário político brasileiro.