O espaço das mulheres no cenário político
Enviada em 18/04/2025
A crônica ‘‘Eu sei, mas não devia’’, de Marina Colasanti, revela a forma como a sociedade tende a minimizar injustiças sociais. Isso se reflete na normalização da falta de representatividade feminina na política. À vista disso, é essencial adotar ações para reverter essa conjuntura, fruto da ineficiência estatal e do patriarcalismo estrutural.
A princípio, é notória a inoperância governamental como propulsora desse cenário. De acordo com Nicolau Maquiavel, no livro ‘‘O Príncipe’’, os governantes devem priorizar o bem universal, todavia o poder pública contraria o autor ao não implementar campanhas que estimulem a população feminina a se candidatarem a cargos políticos, uma vez que apesar das mulheres já terem o direito de disputar eleições, ele não é efetivado completamente, pois os homens ainda são maioria em em candidatos eleitos e concorrentes. Em face disso, torna-se inadmissível que a postura improfícua do Estado colabore indiretamente para manutenção da baixa representação feminina em locais de poder como, o Congresso Nacional, Senado Federal e Câmara dos Deputados.
Ademais, evidencia-se a cultura patriarcal brasileira como outro fator responsável por agravar a desigualdade de gênero. Nessa lógica, a obra ‘‘Ensaio sobre a Cegueira’’, de José Saramago, retrata uma sociedade moralmente cega, definida pelo egoísmo e inércia social. Paralelamente, nota-se a indiferença do corpo civil a respeito da perspetiva machista acerca do papel da mulher no tecido social, de modo que restringí-la ao espaço privado do lar enquanto o homem se ocupa do espaço público se tornou algo normalizado pelo patriarcalismo, propagado através de gerações no país. Diante disso, é inconstestável a necessidade de elevar a quantidade de figuras femininas em cargos de governança, com intuito de modificar essa perspectiva em um futuro próximo.
Dessarte, intervenções são fulcrais para reverter esse quadro. Logo, cabe ao Supremo Tribunal Eleitoral, guardião da constituição, garantir maior participação feminina nas eleições, por meio de campanhas eleitorais sobre a relevância das mulheres na política, veiculadas na midia oficial e centros de ensino, a fim de que haja apoio estatal e representação eleitoral. Assim, as candidatas serão valorizadas.