O espaço das mulheres no cenário político
Enviada em 29/10/2025
O problema da participação reduzida de mulheres na vida política brasileira, além de ser um problema de âmbito político, é um problema de âmbito social. Os historiadores do livro A História das Mulheres no Brasil, mediado por Mary del Priori, demonstram capítulo a capítulo como o apagamento das mulheres da vida pública, em uma mimetização mal feita da sociedade europeia, ocorreu ao longo da história da sociedade brasileira. Isso, feito de tal forma, que ainda hoje o Brasil não conseguiu se soltar das amarras de sua história.
Primeiramente, deve-se pontuar: no Brasil, não houve a proibição legal ao direito ao voto feminino, mas este só veio a ser explicitamente garantido quando o presidente Getúlio Vargas promulgou a Carta Magna de 1932. Entretanto, na falta da lei, o que rege os direitos e deveres do ser humano que vive sociedade é o direito consuetudinário, isso é, o direito regido pelos costumes. Nesse contexto, Lima Barreto, em O Triste Fim de Policarpo Quaresma, que se passa algum tempo após a proclamação da república, retrata como a expectativa da família era posta na regência feminina da vida privada e, não, da pública, como é explicitado quando a afilhada do protagonista tenta se inserir na vida pública ao falar com os políticos da época em uma tentativa de impedir a iminente execução deste e termina por se sentir envergonhada frente a inutilidade de seu ato, fora dos deveres da mulher.
Além disso, é necessario perceber que a falta de “boas-vindas” à participação da mulher na vida pública e, por consequência, na vida política, se estende até os dias de hoje, como mencionado anteriormente. Isso, explicitado na notícia do G1, que aponta que partidos políticos brasileiros estão sendo investigados por violar as regras sobre as cotas de participação feminina nas eleições, cotas essas que garantem que toda eleição deve ter ao menos uma porcentagem de mulheres concorrendo por cada partido.
Posto isso, para aumentar a participação feminina na política, é necessário que o Governo Federal se empenhe nas auditações dessas cotas de participação e promova a equiparação da participação feminina e masculina em cargos oficiais de livre nomeação, de forma a incentivar a mudança dos costumes da sociedade ao demonstrar a capacidade feminina de se colocar nessas posições.