O esporte como ferramenta de inclusão social no Brasil

Enviada em 14/10/2018

No ano de 2016, a judoca Rafaela Silva, nascida na Cidade de Deus, uma das favelas mais perigosas do Rio de Janeiro, ganhou medalha de ouro nos jogos olímpicos Rio 2016. Tal fato, constitui um dos exemplos do esporte como alternativa de superação à realidade de exclusão presente nas comunidades periféricas. Para o melhor entendimento da questão, uma análise sobre a desigualdade social e a falha estatal se faz necessária.

A priori, a falha estatal tem papel fundamental no tema. Isto é, devido a deficiência do Estado em proporcionar igualdade social, ocorre que enquanto uns têm acesso a cultura, escolinhas de futebol, aulas de artes marciais e etc, outros não conseguem, nem se quer, uma oportunidade de aprender ou demonstrar seu talento. Porém, ainda assim, quando conseguem uma rara oportunidade, muitas vezes, passam fome, sede, frio por não possuírem recursos financeiros para sustentar seu sonho. Nesse contexto, é inegável  a importância do esporte como ferramenta de inclusão social, já que, mesmo com todas dificuldades, através dele é possível que barreiras sociais sejam quebradas.

Outro fator a ser averiguado é a desigualdade social. De acordo com Karl Marx, existem duas classes sociais: os dominantes (donos dos meios de produção) e os dominados (indivíduos que vendem sua força de trabalho). Sob esse viés, os indivíduos que não possuem capital são explorados tendo difícil acesso a saúde e educação de qualidade, tornando-se assim, quase impossível sua ascensão social. Nesse cenário, o esporte vira ferramenta para incluir essas pessoas, dissolvendo o ciclo da desigualdade, permitindo além da superação com problemas emocionais e psicológicos, a melhora na qualidade de vida dos elementos. Logo, medidas devem ser tomadas para que a igualdade seja um fato real na sociedade brasileira.

À luz do exposto, o esporte faz com que pessoas antes excluídas, se sintam constituintes do tecido social. Então, cabe ao Estado, em parceria com clubes famosos e atletas consagrados, criar centros  gratuitos, com diversos tipo de esporte, em todos os bairros carentes por todo o Brasil, com visitas de olheiros e patrocinadores, a fim de desconstruir a barreira que impede a equidade de oportunidades. Assim como, o Poder Legislativo deve criar leis que disponibilizem verbas para atletas iniciantes, arrecadadas através de campanhas elucidativas feitas pela mídia, onde a sociedade é estimulada a se engajar nesse projeto. Dessa forma, a ascensão pelo esporte deixará de ser uma utopia para todas as camadas sociais.