O esporte como ferramenta de inclusão social no Brasil

Enviada em 22/10/2018

Durante o governo varguista, políticas de incentivo ao esporte foram taxadas - erroneamente - populistas, pois foram relacionadas, pela oposição, à política de pão e circo da antiga Roma. Contudo, o estímulo a modalidades desportivas, principalmente às olímpicas, tem função de conferir visibilidade à população marginalizada. Dessa forma, por meio do compreensão do papel social das políticas citadas, torna-se indispensável o apoio estatal ao desenvolvimento nesse aspecto na nação. Nesse sentido, para a discussão sobre o esporte como ferramenta de inclusão social no Brasil dois aspecto fazem-se relevantes: a teoria de visibilidade social e o sistema de educação holística.

Em primeira análise, o exposto do sociólogo britânico Nick Couldry mostra-se fundamento ideal para a defesa do incentivo ao esporte como instrumento de empoderamento de minorias. Nele Couldry argumenta: “a desigualdade na voz condena grupos, pessoas e a té mesmo países à inexistência.”. Desse modo, expandindo a análise do pensador britânico, ao compreender que o acesso ao esporte é uma forma de conferir expressividade a comunidades reprimidas - como em olimpíadas, copa do mundo e jogos pan-americanos - não fornece-lo é um ato deliberado de supressão de liberdade de expressão.

Em vista disso, o sistema de educação holística visa o melhor desenvolvimento intelectual através da prática de atividades físicas; fundamenta-se na ideia de unidade  entre aspectos mentais e físicos do corpo. Dessarte, aspirando melhorias no esporte e educação brasileira, na segunda metade dos anos 2000, o Governo Federal em parceria com municípios iniciou a implementação do projeto “Bom de  Bola Bom de Escolar”, infelizmente, apesar de apresentar resultados positivos poucas instituições públicas de ensino receberam o programa em razão da falta de investimento.

Levando em consideração os termos supracitados o Estado, representado pelos Ministérios da Educação e do Esporte, deve , portanto, oferecer incentivos fiscais a instituições de ensino privadas que se propuserem a oferecer educadores físicos, que também devem ser beneficiados pela isenção, para ministrar aulas em projetos da educação pública. Nesse contexto, idealiza-se dar prioridade a esportes olímpicos, já que esses, por convenção, são mais valorizados no âmbito mundial. Com isso, se consegue oferecer treinamento qualificado em modalidades esportivas com oneração estatal reduzida e ,consequentemente, apresentar novos esportistas ao cenário mundial em copas e olimpíadas, assim rumando á equidade social por meio da visibilidade; refutando, nesse aspecto, os opositores de Vargas.