O esporte como ferramenta de inclusão social no Brasil
Enviada em 28/10/2018
A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) defende a importância do esporte ao apresentá-lo como mecanismo que permite a autodescoberta, o aumento da autoconfiança, e também como um poderoso meio para mobilizar pessoas de diferentes crenças, culturas ou etnias. Nesse sentido, é evidente o papel de transformação social desempenhado por essa saudável atividade. Deste modo, é interessante e fundamental a sua adoção como ferramenta inclusiva na sociedade brasileira, seja para apresentar oportunidades àqueles que vivem em áreas violentas e marginalizadas, seja para promover a assimilação social dos que hoje sofrem preconceitos.
Segundo o Atlas da Violência de 2018, das mortes de adolescentes entre 15 e 19 anos, cerca de 56% são violentas, ou seja, estão associadas à crimes. Esse número revela uma triste realidade: jovens que vivem em áreas dominadas pelo tráfico de drogas, cercados por todo tipo de violência, tendem a ingressar no mundo da criminalidade. Diante disso, nota-se a necessidade de ações que se apresentem como alternativas para esse público, principalmente, por meio do desporto, uma vez que, de acordo com a UNESCO, esse mecanismo reduz o índice de criminalidade em 30% ao ano. Percebe-se, então, que o esporte desenvolve o senso coletivo, formando cidadãos mais conscientes de suas atitudes, desviando-os, deste modo, do caminho do crime.
Aliado à isso, as atividades esportivas também permitem quebrar paradigmas e superar estigmas presentes em uma sociedade preconceituosa, como aqueles associados às pessoas com alguma deficiência. Deste modo, surgem as paraolimpíadas, importante meio de integração de pessoas com deficiências físicas e sensoriais. Cegos jogando futebol; cadeirantes, basquete ou tênis; amputados nadando ou correndo. Essas imagens põem abaixo as crenças de quem vê o deficiente como um inválido, um ser inútil à sociedade. Logo, o esporte inclusivo permite que o indivíduo que até então estava à margem da sua comunidade, sinta-se e seja realmente membro dela.
Urge, deste modo, que sejam adotadas medidas que promovam o desporto, uma vez que ele provoca enormes transformações sociais. Para isso, o Ministério da Educação deve abrir os espaços escolares nos finais de semana, oferecendo práticas esportivas com local e equipamentos adequados e com profissionais qualificados, de modo a garantir uma alternativa de lazer aos jovens, afastando-os da violência e mantendo-os na escola. É preciso, também, que o Ministério dos Esportes, em parceria com Organizações não Governamentais, realize eventos que priorizem a inclusão, como paraolimpíadas estaduais ou nacionais, promovendo, deste modo, novas oportunidades ao cidadão deficiente. Atinge-se, assim, o que a UNESCO define como papel do esporte: transformação e integração.