O esporte como ferramenta de inclusão social no Brasil
Enviada em 29/10/2018
Séculos antes de Cristo já havia, em algumas civilizações, a ideia de bem-estar social advinda da prática esportiva. Pois, em lugares como Roma, venerava-se os momentos olímpicos interrompendo, por vezes, as guerras em prol de uma paz momentânea conduzida pelos tais jogos. Hoje, além dos aspectos supracitados, tem-se, ainda, a reflexão de que os esportes são capazes estabelecer uma inclusão social, tanto de pessoas carentes como daqueles que possuem necessidades especiais. No entanto, o Brasil ainda indispõe de investimentos nesse setor.
Mormente, é preciso avaliar os motivos que levaram os cidadãos, já na Antiguidade, a introduzirem uma sequência de atividades que objetivava a conquista de prêmios. A explicação para isso pode estar vinculada na perspectiva que se tem acerca do processo, seja atingir a noção de coletividade – incentivando a cooperação dos indivíduos -, a disciplina – engajando futuros detentores de valores morais – ou mesmo a competitividade – conciliando a ideia de derrotas e vitórias. Ademais, profissionais como a judoca Rafaela Silva mostraram que mesmo com poucas condições é possível obter a ascensão social por meio do esporte, bem como a inserção das paralimpíadas que trouxe consigo a compreensão de que é possível constituir uma nova visão mediante esforço esportivo.
Diante desse contexto, o país promoveu ações, por vias legislativas, como o artigo 217 que assegura ser dever do estado fomentar práticas desportivas. Além disso, o mesmo agente propôs ações pelo Ministério do Esporte, que criou o programa Bolsa atleta – garantindo patrocínios e verbas para que atletas consagrados possam manter o alto rendimento em competições nacionais e internacionais. Contudo, é pertinente mencionar que, embora tenha havido essas contribuições, ainda se faz restrito, principalmente aos iniciantes, o acesso aos mecanismos de treinamento para que o indivíduo possa se empenhar nas atividades e, com isso, garantir um retorno que lhe sirva como meio de subsistência. Essa relação é produto dos baixos investimentos, tanto público como privado, que acabam por não explorar de forma adequada essa ferramenta de transformação social.
Urge, portanto, que a sociedade e instituições públicas cooperem para incitar o avanço dos modelos desportistas na sociedade brasileira. Nesse sentido, cabe ao Estado aplicar verbas nas escolas e em praças públicas para que as quadras poliesportivas sejam fixadas nos mais diversos ambientes, fazendo com que, desde cedo, o jovem se paute na prática de atividades como algo mais sério, não apenas diversão. É imperativo, ainda, que o cidadão, detentor de empresas particulares, estimule os atletas com patrocínios desde sua fase inicial. Assim, observada esta ação conjunta, poder-se-á ratificar o pressuposto do esporte como instrumento de inclusão.