O esporte como ferramenta de inclusão social no Brasil

Enviada em 30/10/2018

No filme “Menina de Ouro”, estrelado e dirigido por Clint Eastwood, é contada a história de Maggie: uma operária transferida que busca no boxe uma maneira de mudar de vida e apesar de toda a dificuldade e do preconceito consegue. Entretanto, longe da ficção e numa dura realidade, vários talentos brasileiros veem seu sonho de brilhar no esporte apenas como algo efêmero e impossível, visto que a falta de apoio governamental aliada à falta de oportunidades e de patrocínios são fonte de frustração e desilusão para os atletas.

A princípio, a situação de desamparo institucional e a ineficiência dos entes esportivos públicos geram grandes problemas para os desportistas. Além disso, em matéria divulgada no Jornal Folha, afirmou que a previsão de cortes orçamentários no ME (Ministério do Esporte) para este ano chegarão a casa dos 80%, cenário ainda pior do que no último ano que já foi ruim, evidenciando que o cenário, comum em muitas cidades, de falta de locais adequados para atividades físicas e mentais não preocupa a União. Portanto, é fundamental aumentar a verba pública e principalmente o status do esporte na cabeça dos políticos.

Adicionalmente, a falta de apoio popular e privado é fonte basilar de toda a situação desvantajosa enfrentada por quem quer viver da prática esportiva. Nesse sentido, o padrão da sociedade nacional de só se preocupar com o esporte a cada dois anos, quando são realizadas as Olimpíadas e a Copa do Mundo, é uma amostra de que a visão das pessoas para com o desporto tem mais haver com a constante busca por vitórias do que com o lado social e salutar da prática física. Assim, mudar o entendimento superficial e de busca única por resultados é o ponto de partida para vencer essa luta.

Dessa forma, é mister buscar soluções que melhores a situação daqueles que querem viver do esporte e também daqueles que querem apenas viver melhor. A priori, convém ao governo federal, por meio de uma política de incentivos e subsídios, deve priorizar a formação de atletas e prover sua estabilidade social e financeira, a fim de melhorar suas expectativas em relação à prática. Ademais, as escolas e centros comunitários devem incentivar a juventude, através da realização de competições com premiação, a ver o esporte não como uma ferramenta para poucos escolhidos, mas como uma atividade inclusiva, com a intenção de permear esse sentimento na população. Só assim, o ouro que desejamos ver a cada competição se tornará realidade e será cada mais comum.