O esporte como ferramenta de inclusão social no Brasil
Enviada em 01/11/2018
Na crônica “A alegria de ser brasileiro” o escritor e jornalista Nelson Rodrigues dialoga com a construção de uma identidade cultural desportiva e a dissipação do complexo de inferioridade que permeava o brasileiro, em relação aos demais países, após sua primeira vitória em uma Copa do Mundo de Futebol, ocorrida em 1958. Lato sensu, os jogadores “tupiniquins” mantiveram o espírito esportivo, em detrimento dos representantes de outras nações, que eram enfáticos nas agressões pelo embate físico. Esse marco angariou ao futebol brasileiro a fama mundial dos dribles e da inventividade, que eram daguerreótipos do enfrentamento diário de sua população contra as adversidades, as desigualdades e a segregação social. A priori, o esporte possui a função de proporcionar integração e participação na coletividade aos indivíduos que são excluídos da trama econômica e cultural do país.
Doravante, passados 60 anos, o Brasil não conseguiu transpor as distinções hierárquicas de poder que se entranham em sua cultura. Em detrimento da realização dos Jogos Paralímpicos e Olímpicos, em 2016, inerentes à construção de um legado de valorização e popularização dos esportes, os grandes estádios e arenas construídos permanecem sob “esquecimento” - abandono? - pelo poder público. Não obstante, as promessas de recuperação ambiental e inserção de jovens em sofrimento social, nos esportes, não se efetivaram. Lato sensu, esses fatos estão associados ao descompasso e ao mal planejamento das obras, que apresentavam indícios de superfaturamento, conforme apuração do Tribunal de Contas da União (TCU).
Consoante a isso, o maior elemento vexatório ao país pós-olímpico é a exclusão dos jovens às práticas esportivas, haja vista que o esporte possui a capacidade de ensinar múltiplas lições aos indivíduos, como o trabalho em equipe, a disciplina e a tolerância com outrem, além de fortalecer a saúde emocional e física, promover o bem-estar e o autoconhecimento de seus limites pessoais. A posteriori, o mesmo oportuna a criação de laços afetivos e a redução da evasão escolar, pois os alunos necessitam comprovar assiduidade em tal instituição para permanecerem na prática das atividades.
Em síntese, os esportes compõem mais que uma identidade nacional, mas a oportunidade de dissolver as enormes barreiras sociais que persistem no Brasil. Portanto, o Ministério da Educação e o da Cultura, aliados ao Ministério dos Esportes, devem promover debates e alianças entre setores públicos e privados, no intuito de arrecadar investimentos para serem direcionados à recuperação das arenas poliesportivas abandonadas e à implementação de projetos gratuitos de inserção dos jovens nas práticas esportivas. Além disso, é essencial o papel das ONGs e das escolas na identificação dos alunos em situação de fragilidade socioeconômica e direcionamento aos holofotes governamentais.