O esporte como ferramenta de inclusão social no Brasil
Enviada em 31/07/2019
No ano de 2015, ocorreu os primeiros jogos indígenas mundiais, no Tocantins, e esse evento possibilitou uma visibilidade, aos índios e suas lutas, antes inexplorada. Tal exemplo evidencia como o esporte tem a capacidade de agir a favor da integração social, todavia, esse cenário encontra-se em más condições. Essa situação se deve às imperfeições de acessibilidade às práticas desportivas e à imagem construída sobre sua utilidade. Logo, a carência de providências é presente.
No cerne dessa problemática está o acesso limitado ao esporte, que ocorre devido a investimentos desiguais. Essa situação expõe como os princípios do " Contrato Social" estão corrompidos, pois segundo o filósofo Thomas Hobbes é dever do Estado garantir condições de vida iguais a todos. Entretanto, isso não acontece, uma vez que o Governo prioriza algumas modalidades em detrimento as outras, por motivos como a popularidade e histórico de vitórias mundiais. A exemplo disso, o total de recursos que a seleção de futebol masculina é expressivamente maior que da equipe feminina. Em decorrência desses determinantes, práticas as quais poderiam crescer e auxiliar por meio de seus códigos de conduta, no exercício de cidadania, ficam limitadas a pequenos grupos.
Ademais, outro agravante é a imagem do esporte que muitas vezes é divulgada o desvaloriza, porque ele só é visto como um mero entretenimento. Contudo, essa visão é apenas uma fração da realidade, já que a prática esportiva pode ajudar, em diversas escalas, a inclusão social. A exemplo disso, há o filme “Invictus”, no qual é retratado como o rugby ajudou a superar o Apartheid, pois unificou os sul-africanos mediante o orgulho de sua seleção. Essa capacidade pode viabilizar uma diminuição da segregação social no Brasil, porém enquanto aquela perspectiva não se alterar, o tratamento dado a esse assunto será de mínima importância , acarretando com isso uma baixa preocupação com o seu desenvolvimento.
Em prol de sanar essa falha no Contrato Social vigente, uma parceria entre a iniciativa privada e o Ministério do Esporte pode estimular a acessibilidade. Enquanto aquele direciona parte de suas doações para projetos sociais e comitês de esportes menos visados, em troca de isenções fiscais, esse exerce uma fiscalização mais rígida mediante contratação de fiscais para verificar se a verba está sendo distribuída e empregada adequadamente, com multas expressivas àqueles que não cumprirem . Dessa maneira as práticas esportivas serão efetivamente usadas para inclusão social. Logo, as diferenças dentro da sociedade serão mitigadas tornando-a mais integrada.