O esporte como ferramenta de inclusão social no Brasil

Enviada em 30/07/2019

Em 2013 a canção “País do Futebol”, composta por MC Guimê e Emicida, ganhou as paradas de sucesso. Idealizada para comemorar a Copa do Mundo de 2014, a música evidencia a influência do esporte, sobretudo do futebol, na vida dos adolescentes. Ao descrever sua trajetória - dos becos da favela aos bairros de luxo do Rio de Janeiro, o rapper enfatiza a ascensão social promovida pelo esporte. Nessa perspectiva, percebe-se a importância do desporto como meio de inclusão socioeconômica dos jovens, seja pelo amparo às minorias, seja pela melhoria da qualidade de vida dos que o praticam.

Em uma primeira análise, é preciso considerar o papel do esporte no combate à desigualdade social existente. No intento de promover a equidade, a Constituição de 1988, prevê a educação e o lazer como um dever do Estado. A diretriz, no entanto, mostram-se antagônica à realidade atual. Pesquisas realizadas pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV/IBRE) demonstram um crescimento acentuado da disparidade econômica no Brasil. Segundo Clarice Lispector, “Você não pode mudar o vento, mas pode ajustar as velas”. Assim, observa-se que a prática esportiva se configura como uma ferramenta de superação às dificuldades financeiras enfrentadas.

Outrossim, é inegável a contribuição do esporte na obtenção de uma melhor qualidade de vida. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS) a prática regular de um ou mais esportes atua significativamente na luta contra inúmeras doenças como, por exemplo, obesidade e diabetes. Ademais, a realização de atividades físicas favorece ao processo de socialização. Consoante ao pensamento de Aristóteles, o homem é um ser social e político. Isto é, o engajamento na vida social não é um aspecto secundário, mas constitutivo e inerente à essência humana. Com efeito, observa-se a importância do esporte na superação das diferenças e no engajamento da comunidade.

Portanto, é mister que o governo tome providências para amenizar o quadro atual. Na busca pela garantia do esporte a todos, urge que o Ministério do Esporte, por meio de programas de incentivo, efetive as normas previstas na Carta Magna. Para tanto, cabe ao Estado a utilização das verbas governamentais para aumentar o investimento na infraestrutura de quadras e poliesportivos, sobretudo nas comunidades carentes. Além disso, a prática das atividades físicas deve ser estimulada, por meio de gincanas e atividades recreativas, para que os jovens sejam contemplados. Somado a isto, cabe à mídia fomentar o interesse da população pelo tema por meio campanhas de conscientização e propagandas. Destarte, a problemática poderá ser superada e o Brasil será não somente o “País do Futebol”, mas também a nação da inclusão de da democracia.