O esporte como ferramenta de inclusão social no Brasil

Enviada em 10/10/2019

O filme “Cidade de Deus” se inicia com uma cena cotidiana, vários meninos improvisando equipamentos  para jogarem futebol , apesar das diferenças entre os personagens, esse momento os fazia sentir parte da comunidade. De fato, para além da ficção, a prática desportiva amadora é essencial para a integração dos indivíduos. Nesse sentido, o esporte como ferramenta de inclusão social é um tema pertinente ao contexto brasileiro. Fica notório que o desporte é necessário para a inserção dos indivíduos à sociedade e, por isso, o Estado  deve incentivar a prática.

A priori, os africanos escravizados no Brasil, possuíam variadas etnias, mas encontravam na capoeira a sensação de pertencimento. Nessa lógica, é válido afirmar que, apesar da distância que encontravam-se do continente natal, a prática dessa luta os permitia interagir em harmonia com outros grupos. Segundo o sociólogo que formulou a teoria sobre o processo de socialização, Anthony Giddens, é essencial para a sociedade que os indivíduos convivam com pessoas e culturas diferentes. Logo, presume-se que a prática do desporto pode proporcionar essa ação.

Ademais, é de responsabilidade do Estado assegurar que os cidadãos possuam os meios para incluir-se socialmente. Dentre esses efeitos, de acordo com a Constituição Federal de 1988, as manifestações desportivas profissionais ou não devem ser incentivas pela República. Em contraste com a Carta Magna, o país demonstra despreparo em garantir esses direitos, pois em locais pobres, a população carece de estrutura para praticarem esportes, como retratado em Cidade de Deus. Desse modo, percebe-se certa urgência na adoção de medidas que trabalhem esses problemas e seus efeitos.

Torna-se evidente, portanto que o esporte é importante para o cotidiano social, entretanto a situação mostrada no filme Cidade de Deus não pode mais ser reflexo da sociedade brasileira. Assim, é necessário que o Ministério da Cidadania, com ações das prefeituras, revitalize e crie praças com ginásios, principalmente em áreas carentes, por meio de verbas governamentais destinadas ao lazer público. Além disso, as escolas e universidades, precisam por intermédio de palestras e aulas lúdicas ensinar os jovens a preservarem e usarem essas áreas de convívio público, a fim de fomentar o processo de socialização deles. Enfim, a partir dessas ações, os cidadãos poderão gozar do direito básico à inclusão social.