O esporte como ferramenta de inclusão social no Brasil
Enviada em 04/09/2019
Falta de incentivo financeiro. Infraestrutura precária. Ausência de apoio governamental e popular. Esses são só alguns dos exemplos de dificuldades que os praticantes de esporte, no Brasil, enfrentam diariamente. Tal realidade vai de encontro a um dos principais benefícios que a prática esportiva pode proporcionar: a inclusão social. Nesse sentido, muitos ainda são os desafios relacionados ao incentivo esportivo e a democratização do desporto no país. Urge, pois, com que sejam realizadas medidas eficazes não apenas na valorização do esporte, mas também em uma maior acessibilidade.
Faz-se mister observar, antes de tudo, o esporte como meio de desenvolvimento humano, sendo esse um dos motivos para existir incentivo à sua prática. De fato, por disseminar, entre outros, a disciplina, o trabalho em equipe e a determinação, ele configura um importante mecanismo de ética para os indivíduos. Além disso, a prática do desporto oferece inúmeras oportunidades de ascensão social, fato comprovado pela história de atletas, como a jogadora Bianca Araújo, a qual antes de ter sua vida transformada pelo basquete, já foi catadora de lixo quando criança como forma de subsistência. E esse é só um caso, dentre vários outros, de vidas sendo mudadas pela educação esportiva, provando que Kant estava certo ao dizer que a educação é a principal ferramenta para a superação de mazelas.
No entanto, o esporte brasileiro ainda carece de muitos investimentos financeiros, de forma a torná-lo acessível para todos. As práticas esportivas no meio escolar, e fora dele, são essenciais para aumentar a saúde física e mental dos cidadãos, além de torná-los mais conscientes das noções de solidariedade e respeitos as diferenças. Contudo, sem auxílio monetário, muitos colégios não dispõem de quadras poliesportivas com estrutura necessária à inclusão de deficientes físicos, muito menos de profissionais qualificados para trabalhar com eles. Tal situação de descaso pode ser explicada pela teoria de “anomia social”, proposta pelo sociólogo francês Émile Durkheim, já que é bastante contraditório o fato de um país em desenvolvimento investir tão pouco em uma ação fundamental para a população.
É necessário, portanto, que os atores governamentais trabalhem frente à falta de incentivo esportivo, seja ele midiático e financeiro, no Brasil. Para tanto, o governo, em parceria com o Ministério da Comunicação, deve providenciar uma conscientização geral sobre a importância da prática esportes, sendo isso feito por meio de propagandas midiáticas, disponíveis em canais de TV e redes sociais, com o fito de incutir à população a praticar esses desportos e, também, a incentivar os atletas. Ademais, o governo deve disponibilizar mais verbas públicas para o setor de esportes, oferecendo uma melhor capacitação aos profissionais e otimizando a estrutura de ginásios e quadras esportivas, com a finalidade de cumprir o seu valor social na íntegra e proporcionar uma maior inclusão para todos.