O esporte como ferramenta de inclusão social no Brasil

Enviada em 17/09/2019

O filme “Invictus” retrata a importância do rugby como ferramenta de unificação entre negros e brancos na África do Sul após o fim do Apartheid, exemplificando o poder de transformação social do esporte. Analogamente, é evidente o papel do esporte como ferramenta de inclusão social de jovens, posto que proporciona a eles oportunidades de socialização, além de combater a marginalização. Contudo, tal papel transformador é limitado pela falta de investimentos na prática esportiva, principalmente nas escolas.

Em primeira análise, cabe ressaltar o papel fundamental do esporte na formação de crianças e jovens, já que proporciona um convívio social construtivo, com a transmissão de valores como a amizade, honestidade e perseverança, assim como a formação de laços sociais. Nesse sentido, formam-se as chamadas “teias de interdependência”, conceito elaborado por Norbert Elias para definir a forma como as pessoas dependem umas das outras e se influenciam mutuamente, de forma que é importante possuir o sentimento de pertencimento a um grupo proporcionado pelo esporte. Ademais, a prática esportiva ocupa o tempo ocioso, fornecendo uma alternativa positiva a outras atividades, como o uso de drogas e a ociosidade improdutiva.

Outrossim, é notório o papel da escola em proporcionar a seus alunos a prática esportiva. No entanto,  devido à falta de investimentos, os jovens necessitam geralmente buscar a prática de esportes fora da escola, seja em aulas privadas ou em projetos de iniciativas do terceiro setor, como ONGs e projetos sociais. Nessa lógica, dados da pesquisa nacional de saúde escolar (Pense) mostram que 70% dos estudantes do 9º ano são inativos, retratando a urgência em aumentar os incentivos ao esporte nas escolas.

Destarte, cabe ao MEC, em conjunto com as secretárias municipais e estaduais de educação, criarem medidas de fomento à prática esportiva nas escolas. Para tanto, devem destinar recurso para a construção de quadras poliesportivas e contratação de profissionais de educação física, além de tornarem obrigatório que as escolas promovam atividades físicas extracurriculares aos alunos interessados. Somente assim, será possível seguir o exemplo do filme “Invictus”, e maximizar o papel transformador do esporte no Brasil.