O esporte como ferramenta de inclusão social no Brasil

Enviada em 15/09/2019

O filme “Invictus” retrata o caráter transformador do esporte em uma Africa do Sul recém liberta do opressivo regime Apartheid. Portanto, esse poder de mudança se estende no contexto de inclusão social, visto que investimentos nesse setor possuem um potencial de tirar os jovens das ruas, promover integração social e melhorias na qualidade de vida do corpo social como um todo.

A princípio, é importante ressaltar que aplicações em prol do esporte previnem a marginalização de crianças e adolescentes. Segundo um levantamento realizado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e a Organização das Nações Unidas (ONU), aproximadamente 60% dos menores brasileiros vivem em situação de pobreza atualmente. Logo, a privação de direitos básicos e a ausência de responsabilidade são a porta de entrada para situações perigosas como a experimentação de drogas e a vulnerabilidade ao mundo do crime. No entanto, durante as atividades esportivas, os indivíduos encontram-se em um ambiente de grupo saudável, isso reduz o risco de práticas nocivas a si e aos outros.

Em segunda análise, cabe destacar que o esporte também deve ser visto como facilitador indireto da integração social. Acerca dessa premissa, é possível apontar as obras bilionárias do Estado na Copa do Mundo e nas Olimpíadas, que hoje trazem pouco ou nenhum retorno. Contudo, se a prática esportiva fosse mais estimulada, isso certamente traria uma séria de benefícios que favorecem a inclusão, como geração de empregos, circulação de pessoas, turismo e segurança. Portanto, um direcionamento coerente de recursos pode fazer esse potencial florescer.

Destarte, urge um maior investimento no esporte para promover a inclusão social. Cabe ao Estado, na figura do Ministério do Esporte, organizar projetos esportivos, no contra turno escolar, para retirar os jovens das ruas. Ademais, recrutar os mais talentosos e desenvolver suas carreiras esportivas com salários dignos e perspectiva de crescimento. O recrutamento será feito por meio de Olimpíadas Interclasse desde o Ensino Básico, que permitirão identificar e premiar os mais promissores de cada ano escolar. A partir dessa ação, espera-se que essas crianças e adolescentes tornem-se grandes atletas no futuro, e que toda a comunidade se beneficie das transformações intrínsecas ao estímulo às suas profissões. Com iniciativas como essa, o Estado terá em mãos uma arma poderosa a favor da inclusão, com a mesma competência de Nelson Mandela, eternizada em “Invictus”.