O esporte como ferramenta de inclusão social no Brasil

Enviada em 29/09/2019

Segundo o sociólogo Pierre Bourdieu, ainda que cada sujeito possua sua individualidade, esta se entrelaça no contexto social dos diversos grupos e instituições das quais participa. Ao considerar esse olhar como ponto de partida para a discussão acerca o esporte como ferramenta de inclusão no Brasil, é nítida a influência dos diversos atores sociais sobre a construção do tema. Torna-se pontual, nesse contexto, não apenas questionar como o governo ainda não se mostra eficaz no estímulo aos esportes, mas também observar seus impactos no organismo social.

Em primeira observação, cabe compreender como as medidas estatais na promoção de práticas esportivas ainda não surtem grandes efeitos. Sob esse viés, atesta-se o olhar de Bourdieu, pois, na medida em que a instituição governamental não implementa de maneira sólida essa prática há uma influenciação sobre as peculiaridades sociais do meio. É válido salientar os prejuízos sociais dessa deficiência governamental, isso porque o esporte na atualidade possibilita vários benefícios à sociedade, como a possibilidade de ascensão social promovida pelo capital, pela aprendizagem do convívio em grupo e da cooperação. Mostra-se relevante, nesse sentido, a necessidade de um maior envolvimento estatal na promoção de práticas esportivas na sociedade atual, colaborando para o desenvolvimento social como um todo.

Paralelamente à questão institucional, outro ponto relevante, nesse cenário, é como o contexto pós-moderno dificulta a inclusão esportiva no Brasil. Nesse contexto, confirma-se a perspectiva de Zygmunt Bauman, pois, em sua obra “O mal-estar na pós-modernidade”, o pensador advoga que o indivíduo contemporâneo age de maneira irracional por ser vitimado pela cegueira moral. Isso significa que a sociedade não alerta seus indivíduos para reconhecerem e valorizarem o esporte na contemporaneidade como deveria, configurando-se cegas na analogia do sociólogo, pois, na medida em que a prática esportiva no dia-a-dia é vista apenas como lazer, há uma dificuldade na valorização do atleta por essa atribuição pejorativa e errônea sobre eles. Configura-se como determinante, portanto, o envolvimento social na promoção de esportes em razão da negação dessa prática catalisar ainda a falta de apoio governamental para essa causa.

Entende-se, diante do exposto, a necessidade de medidas serem implantadas com o fito de deter as problemáticas do quadro atual. A princípio, é fundamental que o Ministério da Educação fomente a prática de exercícios físicos engajados, por meio da criação de uma nova diretriz educacional que concilie profissionais de educação física e psicólogos, para, dessa maneira, estimular não apenas a prática esportiva em si, mas também a formação social do jovem em virtude do viés cooperativo do esporte. Ademais, cabe ao Ministério do Desenvolvimento Social o desenvolvimento de campanhas nas mídias físicas e digitais que valorizem o dia-a-dia do atleta, de modo a afastar o viés popular veiculado apenas ao lazer dessa prática, engajando a sociedade e a atraindo para o esporte. Com essa iniciativas, espera-se que o entrelaçar entre os agrupamentos sociais, proposto por Bourdieu, possa conduzir a relações mais humanizadas.