O esporte como ferramenta de inclusão social no Brasil
Enviada em 04/10/2019
O filme “Invictus” retrata o caráter transformador do esporte em uma África do Sul recém-liberta do opressivo regime Apartheid. Esse poder de mudança também se estende ao contexto de inclusão social, visto que investimentos nesse setor têm o potencial de resgatar jovens de situações de risco e promover melhorias significativas na qualidade de vida da sociedade brasileira como um todo.
Antes de tudo, vale apontar como iniciativas em prol do esporte previnem a marginalização de crianças e adolescentes. A esse respeito, o que se verifica hoje é o oposto do que postulava a Filosofia da Grécia Antiga, segundo qual o chamado ócio criativo era o motor da verdadeira inspiração, pois, nos tempos atuais, a ausência de responsabilidades é a porta de entrada para situações perigosas como a experimentação de drogas e a vulnerabilidade ao mundo do crime. No entanto, durante a prática esportiva, o indivíduo se encontra em um ambiente saudável de grupo, o que reduz o risco de realizar práticas nocivas a si mesmo e aos outros.
Ademais, o esporte também deve ser visto como facilitador indireto da integração social. Acerca dessa premissa, é possível apontar as obras bilionárias do Estado na Copa do Mundo e nas Olimpíadas, que hoje trazem pouco ou nenhum retorno. Contudo, se a prática esportiva fosse mais estimulada, isso certamente traria uma série de benefícios que favorecem a inclusão, como geração de empregos, circulação de pessoas, turismo e segurança. Portanto, um direcionamento coerente de recursos pode fazer esse potencial florescer.
Diante do exposto, é evidente a necessidade de maiores investimentos no esporte para promover a inclusão social. Cabe ao Estado, na figura do Ministério do Esporte, recrutar jovens talentosos desde cedo e desenvolver suas carreiras esportivas com salários dignos e perspectiva de crescimento. O recrutamento será feito por meio de Olimpíadas Interclasse desde o Ensino Básico, que permitirão identificar e premiar os mais promissores de cada ano escolar. A partir dessa ação, espera-se que essas crianças e adolescentes tornem-se grandes atletas no futuro, e que toda a comunidade se beneficie das transformações intrínsecas ao estímulo às suas profissões. Com iniciativas como essa, o Estado terá em mãos uma arma poderosa a favor da inclusão, com a mesma competência de Nelson Mandela, eternizada em “Invictus”.