O esporte como ferramenta de inclusão social no Brasil

Enviada em 09/10/2019

De acordo com a Constituição Federal de 1988, até hoje vigente, é dever do Estado fomentar práticas desportivas formais e não formais, isto é, incentivar e garantir o acesso ao esporte à todos os cidadãos. No entanto, apesar da sua importância na luta contra a evasão escolar, muitos brasileiros enfrentam o principal problema do país: desvalorização do esporte como mecanismo de inclusão social. Assim, evidencia-se a necessidade de analisar criticamente os avanços e os desafios para uma possível solução da problemática.

A princípio, vale ressaltar o progresso obtido com a inserção da matéria Educação Física na matriz curricular das escolas. Martin Luther King, importante ativista cívico americano, diz: ‘‘a educação é a arma mais poderosa que você pode usar para mudar o mundo". Tal assertiva faz referência à modificação da visão da juventude em relação às práticas esportivas nas instituições de ensino, a qual passou a valorizar o esporte como fornecedor de oportunidades contra a pobreza e a desigualdade. Circunstâncias como essa provam o porquê programas esportivos em comunidades carentes do Rio de Janeiro contribui para a permanência de cerca de 90% dos alunos nas escolas, segundo dados do programa Segundo Tempo Pan Social.

Ademais, é importante destacar os obstáculos enfrentados na luta pela inclusão social. Nesse sentido, ao contrário do que se afirma na Constituição Federal, o esporte não é incentivado e, não poucas vezes, é pouco praticado pelos alunos. Isso ocorre porquê há baixo investimento do poder público na infraestrutura de quadras poliesportivas - locais especializados para a prática de mais de um esporte, atendendo as necessidades dos jogadores. Por exemplo, não há como negar que inúmeras escolas brasileiras carecem de áreas para jogos entre cadeirantes; algo grave, tendo em vista que não investir no esporte escolar contribui para a exclusão social dessa minoria.

Depreende-se, portanto, que ações contra a desvalorização do esporte como objeto de inclusão social devem ser imediatamente iniciadas. Para tanto, o Ministério da Educação, órgão responsável pelo estabelecimento do ensino, deve investir no desenvolvimento de quadras poliesportivas, por meio de incentivos fiscais, com o objetivo de minimizar a exclusão social. Somado a isso, cabe às escolas proporcionar a aproximação dos alunos ao esporte, por intermédio de jogos interescolares e gincanas, com vistas contribuir para a sua permanência nos estudos e lutar por oportunidades capazes de vencer a pobreza e a desigualdade na sociedade brasileira.