O esporte como ferramenta de inclusão social no Brasil

Enviada em 10/10/2019

Movimentos esquecidos

Desde o início da colonização brasileira, com a distribuição das sesmarias,um cenário de latifúndios e de concentração de renda se fez presente no país.Tal fato contribuiu para a exclusão de grupos minorizados da economia e da vida social, como indígenas e afrodescendentes, que acabaram rendidos à escravidão.No entanto, no início do século XX, aconteceu a primeira participação de uma pessoa negra no esporte, como jogador do clube de futebol Ponte Preta. Esse cenário contribuiu para que as classes mais baixas do país encontrassem possibilidades de novas perspectivas de vida. Entretanto,atualmente, a defasagem de incentivos estatais e o descaso do setor privado são os impasses existentes para a concretização do esporte inclusivo no país. É necessário, portanto, um debate entre Estado e sociedade, a fim de que os erros existentes sejam sanados.

Sob esse viés,consolida-se o pensamento de François Héritier acerca de o mal começar com indiferença e resignação, visto que o governo não garante o acesso de todos ao esporte,previsto no artigo 6º da Constituição Federal,devido a má gestão dos recursos. Essa situação propicia a rendição de jovens de baixa renda, desprovidos de apoio familiar e condições básicas de vida - como saúde, educação e alimentação- ao crime organizado. Indubitavelmente, isso culmina no desfalque dessas pessoas de enxergarem outras formas de superarem suas limitações, habilidade que a prática esportiva proporcionaria através do convívio com diferentes realidades.Fato constatado no Instituto Neymar Júnior, que resgatou inúmeras crianças e adolescentes em situações de risco.

Convém ressaltar, também, como causa da obsolescência do desporto inclusivo, no Brasil, o fato de os projetos sociais serem pouco detalhados, o que dificulta a análise e o fornecimento de recursos governamentais para concretizá-los. Além disso, há a fragilidade da Lei Pelé,que,na teoria, foi sancionada com o objetivo de estimular organizações esportivas sociais e, na prática,não soluciona erros jurídicos relacionados à liberação de recursos para o financiamento dessas. Consequentemente, ocorre a desesperança de milhões de jovens carentes de realizarem seus sonhos de serem atletas.

Fica evidente, portanto, o descompasso entre Estado e sociedade na resolução dos erros existentes. Cabe, portanto, ao Ministério da Cidadania a abertura de cursos de qualificação profissional para gestores de recursos, a fim de que distribuam de forma igualitária o capital estatal; e ao Ministério do Esporte a publicação de um modelo de projeto esportivo, com o intuito de padronizar a redação dos futuros esboços e, com isso, facilitar a análise para a aprovação de novas organizações esportivas.Assim, o Brasil caminhará para um país inclusivo e com menores disparidades sociais.