O esporte como ferramenta de inclusão social no Brasil

Enviada em 12/10/2019

Sob a perspectiva histórica, as competições esportivas, em Atenas durante os séculos 1 e 2, eram vistas como formas de ascensão na sociedade dos cidadãos. Nessa óptica, o Brasil desalinha-se desse preceito ao desencorajar a prática esportiva como um caminho de superação das desigualdades sociais com seus investimentos ínfimos na estruturação de atletas. A partir disso, observa-se as políticas públicas fomentadoras de práticas desportivas como medidas preferíveis frente ao esporte como ferramenta de inclusão social no país.

Nesse contexto, o Doutor em educação física Valter Bracht, em sua obra “A sociologia crítica do esporte”, concebe os esportes como emancipador das pessoas e ampliador dos horizontes de suas expectativas de vida. Por esse panorama, a aliança entre educação e hábitos esportivos pode mudar a realidade, por exemplo, de pessoas marginalizadas, as quais, muitas vezes, habitam espaços marcados pela violência e o desamparo estatal, como as favelas. Dessa maneira, a esportividade mediatiza as pessoas carentes a oportunidade de incluírem-se efetivamente na sociedade, libertarem-se de suas circunstâncias de exclusão societária, e a ausência de recursos incentivadores dessa área destrói a esperança de milhares de jovens brasileiros, os quais sonham em alterar sua realidade.

Ademais, segundo o Plano Orçamentário do Governo Federal, em 2019, apenas 0,4% do PIB( Produto Interno Bruto) será destinado aos esportes no país. Mediante esse dado, nota-se o desalinhamento do Brasil aos preceitos atenienses, os quais mediatizavam o esporte para a transformação dos indivíduos no corpo comunitário, pela insuficiência de investimentos na estruturação dos atletas. Dessa forma, a carência estatal ante a mecanismos de superação dos contextos comunitários excludentes não é razoável.

Portanto, é dever do Estado agir no sentido de reduzir as desigualdades para atender os anseios sociais de inclusão e melhoria de vida, por intermédio do fomento a esportividade. Sendo assim, compete ao Ministério da Cidadania propor o aumento da fatia do PIB para o setor, e elaborar um plano nacional de incentivo ao esportivismo, contemplador de uma aliança entre União, Estados e Municípios para a reforma de escolas e centros comunitários com quadras, piscinas e campos, além da contratação de profissionais da Educação Física, nutricionistas e especialistas em treinos de diversas modalidades por meio de investimentos na Secretaria Especial do Esporte para ultrapassar as carências estatais ante o esportivismo. Desse modo, tem-se o intuito de utilizar políticas públicas fomentadoras de hábitos desportivos para tornar efetivamente o esporte uma ferramenta de inclusão societária no país.