O esporte como ferramenta de inclusão social no Brasil

Enviada em 25/10/2019

A Copa do Mundo de 2014, sediada no Brasil, trouxe, à época, grande entusiasmo ao país, que se mobilizou para a realização do evento. Nesse período, a produção artística acerca de temáticas da cultura nacional aliadas ao futebol foi intensa, exemplo disso é a música “País do Futebol”, parceria entre MC Guimê e Emicida. A letra aborda, por meio de trechos como “venceu a desnutrição e hoje vai dominar o mundo”, a vida de um jovem periférico que ascendeu socialmente através do esporte. Hodiernamente, essa pode ser uma saída eficaz para a sociedade brasileira, que enfrenta diversos problemas sociais e apresenta fortes traços individualistas.

Primeiramente, é válido frisar que o Brasil, na condição de país emergente, possui vários fatores que inibem seu desenvolvimento, dentre eles, a alarmante desigualdade social. Recentemente, uma pesquisa divulgada pela Oxfam Brasil, uma ONG (Organização Não Governamental) nacional, aponta que a pátria brasileira é a 9º menos igualitária do mundo. Esse tipo de avaliação é o resultado de, entre outras questões, uma má distribuição de renda e baixo investimento em educação. Em contrapartida, muitas vezes o desporto consegue reverter esse quadro. Embora também sofra com o pouco recurso, a prática pode mudar o destino de um garoto pobre sem acesso à escola e, às vezes, à comida. Amostra disso pode ser vista na história de Ronaldo Nazário. O “Fenômeno”, como ficou conhecido, era só um garoto do subúrbio carioca, mas que com a bola no pé, disputou uma Copa do Mundo aos 17 anos.

Em segunda análise, é notório que a prática desportiva pode ajudar a combater o individualismo cultivado na sociedade. Para o filósofo Zygmunt Bauman, a transição passada pela humanidade, durante o século XX, de uma sociedade de produção para uma de consumo, fez com que a vivência comunitária fosse reduzida, diferentemente da tendência individualista. Um contraponto à essa prática está, justamente, no esporte, que através da valorização da parceria, respeito ao próximo e “fair play”, corrobora para a retomada do pensamento coletivista.

Portanto, é mister que o Estado tome medidas para a ampliação dessa ferramenta social. Sendo assim, para que a prática esportiva seja valorizada no país, urge que a Secretária Especial do Esporte, dentro do Ministério da Cidadania, crie, por meio de parcerias com estados e municípios, olimpíadas inter-regionais que englobem variados esportes. Esses festivais deverão premiar os participantes com bolsas e patrocínios, além de mobilizar toda a comunidade escolar, incluindo os pais, o que motivará os estudantes a treinarem e acompanharem o torneio. Somente assim, será possível alavancar ainda mais o desporto, para que ele continue com o seu papel de mobilizador social, o que garantirá a muitos jovens um futuro melhor, como o de “País do Futebol”: “ontem foi choro, hoje tesouro”.