O esporte como ferramenta de inclusão social no Brasil

Enviada em 16/10/2019

O filme americano " Invictus", discorre sobre a importância do esporte na construção de valores humanos, cuja consequência foi fundamental para “quebrar as barreiras” do apartheid racial na África do Sul. De outra parte, fora da ficção, o esporte no brasil é desvalorizado no que tange a inclusão social, fruto da inoperância estatal, bem como da apatia social. Dessa maneira, urge a aliança entre o Estado e as grandes mídias para o reconhecimento do esporte como promotor de cidadania e inclusão.

Primeiramente, é digno constatar que de acordo com a Constituição Federal brasileira, de 1988, é dever do Estado fomentar atividades desportivas. No entanto, a prática deturpa a teoria, uma vez que o Sistema falha na carência de investimento para o setor esportivo e, também, na manutenção de programas voltados ao “ esporte-educação” com vistas na inclusão social, principalmente, em regiões periféricas com intensa criminalidade. Nesse contexto de parcimônia estatal a Universidade de Londres – em seu projeto e estudo chamado “ Luta pela Paz”- financiou a construção e à promoção de ambientes direcionados às práticas esportivas, na violenta favela do Complexo da Maré, e constatou, por fim, que 65% dos jovens participantes do projeto saíram do tráfico de drogas.

Ademais, cabe analisar que o individualismo apático, hodierno, é responsável por comprometer a eficiência da inclusão socioesportiva. Isso porque a sociedade, desengajada com o poder transformador do esporte nos grupos segregados, acredita só na função desportiva voltada para o lazer e para educação física no âmbito escolar. Dessa forma, no tocante do pensamento do escritor José Saramago, há uma “Cegueira Moral” presente na conduta da maioria do corpo civil, que impede uma maior valorização de interesses benéficos à coletividade. Logo, mesmo com a denúncia da UNESCO sobre o papel catalisador do esporte no que tange a violência e como elemento de inclusão social, o nicho populacional continua a “ fechar os olhos” para essa causa.

Evidencia-se, portanto, que como no filme “ Invictus” o esporte brasileiro também é capaz de “ quebrar barreiras” e incluir socialmente os menos favorecidos. Por isso, faz-se necessário que a Lei Orçamentária Anual(LOA), direcione capital, que por intermédio de Ministério da Educação, será revertido na construção de “escolas de esporte” em bairros periféricos, ministradas por especialistas esportivos, com o fito de promover a cidadania e a inclusão social de indivíduos vulneráveis. Paralelamente, a LOA deve prover verbas para as grandes mídias, que mediante ao seu papel fundamental na formação e difusão de conhecimento, irá realizar campanhas socioeducativas, para guiar a população à alteridade e torná-la mais engajada e empática com os desiguais. Sendo assim, a inclusão social por meio do esporte será, de fato, conduzida para visibilidade brasileira.