O esporte como ferramenta de inclusão social no Brasil

Enviada em 01/11/2019

O filme estadunidense “Menina de Ouro” apresenta a história de uma lutadora de boxe que enfrenta o desafio de ser uma mulher em um ambiente reconhecidamente masculino. Apesar disso, a protagonista se destaca no esporte e é transformada por ele, mudando a mentalidade de seu treinador, que não queria treinar uma figura feminina. Assim como na ficção, a prática esportiva também é uma ferramenta de transformação social na realidade. Deste modo, é essencial combater os desafios que prejudicam tal benefício no Brasil.

Diante da conjuntura, observa-se que o esporte é capaz de dar visibilidade a grupos sociais marginalizados, o que pode ter um papel transformador ao fomentar o senso crítico populacional. Um exemplo disso é a celebridade e jogadora de futebol Marta, que, em um jogo da Copa da França, exibiu uma chuteira com a bandeira da igualdade de gêneros, situação noticiada em diversos programas televisivos, como o Globo Esporte. O fato em questão foi importante, já que provocou um debate sobre a visão sexista de muitas pessoas em relação à capacidade da mulher. Em suma, é evidente a relevância do esporte para a transformação da mentalidade populacional.

No entanto, a atividade esportiva, infelizmente, é pouco incentivada em muitas instituições de ensino brasileiras. O documentário “Muito Além do Peso”, da documentarista Estela Renner, ilustra essa realidade. Nele são apresentadas cenas de crianças que afirmam ter educação física nas escolas apenas no formato de aulas teóricas e em um curto período de tempo, ou seja, a prática não ocorre, diminuindo o contato e o interesse das crianças pelo esporte. Esse baixo incentivo, portanto, é um obstáculo para que mais meninas de ouro (como a lutadora, no filme, e a Marta, na realidade) continuem transformando a realidade de preconceito.

Diante do exposto, com objetivo de garantir o papel transformador do esporte, o governo necessita incentivar a prática nas escolas por meio de eventos frequentes. Tais eventos devem ocorrer com auxílio de jogadoras e jogadores de futebol, por exemplo, os quais devem ensinar e impulsionar os jovens a conhecerem essa modalidade. Assim, será possível ter de fato a atividade esportiva nas instituições de ensino e evitar cenários como o das crianças do documentário de Renner.