O esporte como ferramenta de inclusão social no Brasil
Enviada em 15/04/2020
Arco e flecha. Pesca. Nado. Essas foram atividades desenvolvidas por indígenas antes do Período Colonial utilizadas para sobrevivência; e podem ser consideradas como as primeiras modalidades esportivas no país. Ora, após mais de 500 anos, o esporte permanece significativo à supervivência, como fator de interação social, inclusão e desenvolvimento humano, todavia sua efetividade é comprometida por não haver condições necessárias para sua prática. Assim, é necessário que haja modificações ambientais nos locais de oferta e na conduta perante o desporto.
Nesse cenário, a falta de incentivo aliada à infraestrutura precária de muitas escolas públicas, é um propulsor ao não engajamento esportivo. De acordo com a Lei Pelé, na educação, a prática desportiva deve ser “para desenvolvimento integral do homem como ser autônomo e participante… fomentado com recursos públicos”, contudo há uma lacuna expressiva entre a legislação e sua execução. Tal qual denunciou o Censo Escolar de 2016, no qual 6 em cada 10 escolas não possui quadra própria. Com isso, crianças, sobretudo as mais carentes, são alvos fáceis do ócio e não são encorajados ao desenvolvimento de suas potencialidades. Logo, por isenção do Estado, aptidões não são despertadas e progressos consideráveis são impedidos.
Outrossim, a ausência de suporte financeiro apropriado aos esportistas brasileiros os leva a situações calamitosas e impossibilita uma boa preparação para competições. Nesse âmbito, é válido rememorar a origem dos Jogos Olímpicos na Grécia, o evento era tão grandioso que os vencedores eram recebidos como heróis em suas cidades, realidade inexistente no país, onde impera a desvalorização desses profissionais. Como relatou a Folha de Londrina a realidade de atletas paraolímpicos, na equipe de canoagem composta por 3 atletas, apenas 1 conseguiu receber o Bolsa Atleta Nacional pela burocracia envolvida no processo. Desse modo, o esporte que é uma ferramenta, mas não o objetivo, não possui seu fim almejado nessa conjuntura.
Mitigar, portanto, essa ineficácia na promoção das atividades esportivas é possível com algumas medidas. Para essa redução ocorrer, é primordial que o Governo Federal assegure a construção de ginásios e compra equipamentos básicos para realização do desporto por meio do repasse de verbas específicas e suficiente para tal, com o fito de garantir qualidade e exploração eficaz das habilidades do alunado. Cabe também ao Ministério da Cidadania em parceria com a iniciativa privada disponibilizar mais recursos aos atletas carentes, mediante à concessão de incentivos fiscais a esses colaboradores, com o intuito de fomentar preparo adequado aos esportistas e assim se encontrem em posição de igualdade a outros competidores em disputas.