O esporte como ferramenta de inclusão social no Brasil
Enviada em 08/04/2020
Para o filósofo ateniense Sócrates, o homem educado fisicamente é verdadeiramente educado e, portanto, belo. Essa afirmação explicita a importância das atividades físicas na sociedade grega e das comemorações esportivas como forma de agradecimento aos deuses. Sob essa perspectiva, o esporte sempre foi visto como instrumento de respeito e disciplina pelos cidadãos, possibilitando, além de uma forma de lazer, a oportunidade de mudança de vida. Por conta do seu potencial de inserção comunitária, tal atividade deve ser vista como forma de inclusão de deficientes e pessoas de baixa renda no Brasil. Em primeiro lugar, é válido ressaltar que a prática de atividades físicas por pessoas portadoras de necessidades especiais é de extrema importância e proporciona a integração social desse público. Segundo o Estatuto da Pessoa com Deficiência, todos brasileiros que possuem limitações físicas, intelectuais ou sensoriais têm direito à oportunidade como as outras pessoas. No entanto, mesmo com o crescimento de projetos que buscam a democratização do esporte, muitas cidades ainda não possuem políticas públicas eficazes, fazendo com que as atividades voltadas a essa minoria sejam concentradas nos grandes centros urbanos, excluindo as demais regiões.
Em segundo lugar, é oportuno lembrar que cidadãos de classes menos favorecidas podem encontrar nas atividades físicas uma ferramenta de ascensão social, por conta da possibilidade de seguir carreira como professor ou atleta. Além disso, a prática de lutas, por exemplo, permite que jovens das periferias aprendam a importância do respeito e do autocontrole, diminuindo a taxa de violência nessas comunidades e permitindo que esses menores saiam das ruas e tenham uma ocupação a mais. Porém, a falta de apoio, patrocínio e condições de treinamento são alguns impedimentos que distanciam os mais pobres do mundo elitista dos esportes.
Por fim, fica claro que o Estado deve tomar providências para que o país possa contar com mais um instrumento de inclusão de minorias sociais. Para isso, o Governo Federal, junto com as prefeituras de cada cidade, deve criar projetos comunitários para portadores de deficiência em escolas da rede municipal e estadual, incentivando a prática de atividades físicas e informando os responsáveis sobre a importância de tais práticas. Ademais, o Ministério da Cidadania deve criar programas de formação de professores de educação física voltados ao ensino de práticas esportivas em comunidades carentes, por meio de uma parceria com a rede de ensino de cada estado. Somente assim, o esporte será utilizado como forma de inclusão no Brasil.