O esporte como ferramenta de inclusão social no Brasil
Enviada em 04/04/2020
Durante a Primeira República Brasileira, o futebol era um esporte proibido a mulher cujo a justificativa baseava-se numa suposta condição natural desse ser à maternidade. Paralelamente, no Brasil do século XXI, apesar de ter havido um progresso e a inclusão feminina ao esporte, ainda é bastante perceptível no país a forte presença do racismo e da homofobia contribuindo para o aumento da exclusão e intolerância. Sendo assim, faz-se necessário discutir esses problemas a fim de mitigá-los.
Em primeiro lugar, é importante ressaltar que o racismo existente no esporte, principalmente no futebol, é resultado de um longo processo de exclusão dos negros ao decorrer dos séculos das mais variadas esferas sociais. De acordo com a filósofa Djamila Ribeiro: “O Brasil nunca aboliu a escravidão de fato” mostrando que não apenas no campo político é perceptível essa mazela social. Para exemplificar, é válido relembrar o caso do goleiro Aranha que repercutiu intensamente pelo país, em que o jogador foi injuriado por meio de palavras relacionadas à cor da sua pele, mostrando que o que Djamila falou está, ainda, muito presente na sociedade brasileira.
Não obstante, a presença de homofobia, resultada principalmente de uma falta de pensamento crítico contribui fortemente para o agravamento desse problema no esporte. Por intermédio da pensadora Hannah Arendt e do seu conceito de “ralé”, as grandes massas são facilmente manipuladas por aqueles que são vistos como líderes fazendo com que sejam reproduzidos discursos semelhantes a esse próprio, o que pode ser demasiadamente perigoso em alguns casos. Como exemplo disso, tem-se o episódio conhecido como “Poltrona 33”, um hino ecoado nos estádios brasileiros por torcedores do Internacional contra o Grêmio, no qual supostamente dois jogadores gremistas estavam praticando atividades homossexuais. Assim, parte dos colorados, influenciado por líderes de torcidas organizadas, passaram a propagar discursos baseados em ofensas sexuais aos torcedores do tricolor.
Portanto, analisado o exposto, faz-se necessário que a mídia, como agente de persuasão e influência social, realize por meio de anúncios verbais e não verbais, campanhas diárias na tevê com o objetivo de reduzir os casos preocupantes de racismos que ainda se fazem presente no esporte brasileiro. Além disso, cabe ao Congresso Nacional aprovar uma lei que busque endurecer ainda mais as penas previstas para torcedores que realizem atos homofóbicos, como o banimento permanente dos estádios e multas buscando amenizar a homofobia nos estádios. Feito isso, o país terá se afastado daquele cenário vivido pelo goleiro Aranha e caminhará rumo ao progresso.