O esporte como ferramenta de inclusão social no Brasil

Enviada em 13/04/2020

Em uma história da mitologia grega, Zeus condenou Prometeu a ter seu fígado devorado diariamente por um abutre, acorrentando-o à rochedos de sofrimento. Embora seja um contexto ficcional, o mito assemelha-se à questão da inclusão social por meio do esporte no Brasil hodierno – pauta em ascensão nas últimas décadas, visto que sua utilização implica em benefícios educacionais não só para os praticantes como também para os professores responsáveis por projetos nessa área e demais cidadãos; no entanto, há uma iminente necessidade de investimentos que apoiam a realização desse trabalho.

Vale ressaltar, em primeiro plano, o pensamento do filósofo grego Aristóteles: “O homem é por natureza um animal político”. Sob esse âmbito, o ser humano preza enfaticamente pela sociabilidade e capacidade de discutir frequentemente sobre temas de seu interesse. Nesse contexto, a exclusão torna-se algo comum, uma vez que suas vítimas são normalmente alvos do bullying decorrente das diferenças expostas no convívio social. Nesse sentido, as escolas não são por si só um local capacitado para reverter esse quadro: faz-se indispensável a associação destas com projetos esportivos em prol do aprimoramento da cidadania.

Cabe mencionar, em segundo plano, a famosa frase do físico grego Arquimedes: “Dê-me uma alavanca e um ponto de apoio que eu moverei o mundo”. Da mesma forma, é indubitável que, para promover as iniciativas supracitadas com qualidade, há uma demanda financeira que deve ser suprida pelo Estado; afinal, se já sem a devida valorização os atletas brasileiros – sobretudo os olímpicos e paraolímpicos - conseguem alçar voos altos e inspirar pessoas das mais diversas idades e nacionalidades a escaparem da solidão e da inércia, os patamares alcançados sem a necessidade de uma superação além da dos males inescapáveis seriam ainda mais esplêndidos.

Logo, cabe ao MEC agir no sentido de disponibilizar - nas escolas e comunidades carentes - profissionais capacitados para realizar trabalhos físicos com os portadores de algum tipo de deficiência, além de consultas com psicólogos para conter o enorme número de doenças mentais – provenientes, em grande parte, das numerosas relações socioeconômicas problemáticas propagadas pelo contemporâneo sistema capitalista - que afligem a população. Somado a isso, é de substancial relevância que o Ministério da Economia invista no esporte nacional com a finalidade de incluir socialmente os indivíduos. Enfim, apenas rompendo as correntes da falta de verbas libertar-se-ão os “Prometeus” atuais do abutre do sedentarismo e da exclusão.