O esporte como ferramenta de inclusão social no Brasil

Enviada em 12/04/2020

Durante a Roma Antiga, a política do Pão e circo era o modo pelo qual os líderes romanos mantinham a plebe fiel à ordem estabelecida, esta consistia na distribuição de alimentos e no acesso à espetáculos teatrais e esportivos. Analogamente, no Brasil contemporâneo o esporte se tornou uma ferramenta de inclusão social às diferentes classes. A prática esportiva carrega consigo uma nova perspectiva de futuro aos menos favorecidos, mas é tratada em sua maioria como uma mercadoria capitalista vendida em espetáculos.

Atualmente é conhecida a capacidade do esporte em abarcar pessoas das diversas realidades socioculturais e com deficiências físicas ou intelectuais. Aos jovens moradores de comunidades carentes, ele demonstra um novo panorama de vida, uma vez que estes são retirados da ociosidade e da possibilidade de se ligarem ao crime ou ao tráfico iminente para a prática de atividades, que quando bem realizadas podem tornar-se profissões ou minimamente ensinarem valores como disciplina. A outra parcela também beneficiada, os deficientes, encontram no esporte possibilidade de desenvolvimentos pessoais e relacionais. Dessa forma, o desporto demonstra-se um forte agente social para a integração de indivíduos desprivilegiados.

Todavia, mesmo solidificando-se como forte estratégia de assistência à população, o esporte é em sua maioria tratado como espetáculo, visto apenas com seu caráter rentável, havendo uma forte influência midiática/publicitária, bem como grande circulação de cifrões, sem que haja grandes investimentos nas linhas de base ou sequer no treinamento de profissionais da área. Segundo o vice-presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), Juan Antonio Samaranch, foram US$ 5,7 bilhões embolsados pela comissão no ciclo olímpico de 2013 a 2016, dinheiro, em sua maioria, advindo de patrocínios e direitos de transmissão. Evidenciando que a circulação ocorre entre as classes altas, não gerando benefício às cidades, além do turismo.

Portanto, são necessárias medidas para a ampliação da inclusão desportiva. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) deve financiar projetos particulares já existentes, bem como a criação de novos projetos com seu apoio financeiro, por  meio de empréstimos à projetos que comprovem seu papel social, oferecendo um grande prazo ao pagamento, uma vez que maioria destes projetos buscam apenas a ajuda comunitária sem fins lucrativos, a fim de que os indivíduos beneficiados cresçam em número e grau. Conquistando, desse modo, o fim do Pão e circo e a uma verdadeira participação esportiva.