O esporte como ferramenta de inclusão social no Brasil
Enviada em 12/04/2020
Nas olimpíadas de 2016, no Brasil, a Judoka Rafaela Silva, que cresceu na favela da Cidade de Deus, conseguiu a medalha de ouro na competição, demonstrando o poder de transformação que o esporte possui. Entretanto, as grandiosas estruturas construídas para esse evento atualmente estão praticamente todas fora de funcionamento, desperdiçando todo o potencial social e econômico desses locais. Dessa forma, é importante evidenciar a capacidade de inclusão social do esporte e analisar maneiras de como direcionar melhor os investimentos nessa área.
Antes de tudo, vale apontar como o esporte pode evitar que crianças entrem na marginalidade, principalmente nas favelas e periferias. Enquanto na Grécia Antiga os filósofos viam o ócio como algo fundamental para o processo criativo, na sociedade atual, principalmente nas favelas, onde quase não há áreas de entretenimento, o ócio leva os jovens a praticarem atividades pouco produtivas e até mesmo ilegais, como tráfico de drogas. Nesse cenário, o esporte pode proporcionar uma forma de divertir os adolescentes e até ser o caminho para uma formação profissional, como no caso da Rafaela. Assim, além de auxiliar no desenvolvimento de disciplina, respeito e companheirismo, o esporte também é uma alternativa para desviar os jovens da criminalidade e favorecer a inclusão deles na sociedade.
Consequentemente, o Governo deve gerir melhor os investimentos nessa área, a fim de explorar a capacidade de inclusão social do esporte. Acerca dessa premissa, é valido relembrar que muitas das obras bilionárias construídas para a Olimpíada de 2016 não estão sendo desfrutadas pela população. Contudo, se esses ambientes fossem utilizados para o estímulo de práticas esportivas, certamente mais pessoas poderiam ser beneficiadas, por exemplo, pela geração de empregos para professores de educação física e a criação de torneios que favoreceriam ainda mais o desenvolvimento social e econômico da região.
Levando em conta o exposto, é mister que medidas sejam adotadas para que o esporte possa apoiar cada vez mais a inclusão social no Brasil. Portanto, cabe ao Estado não somente restabelecer o uso das obras Olímpicas, mas também investir na construção de espaços para a prática de esportes nas favelas e periferias. Além disso, esses ambientes devem ser financiados, por meio de verbas públicas e patrocínios, para que haja alimentação, transporte e equipamentos de qualidade para motivar os jovens a comparecer às aulas e participar de amistosos, favorecendo o amadurecimento deles como cidadãos de bem e distanciando-os da marginalidade. Dessa forma, será possível que no futuro existam menos adolescentes infratores e mais atletas como a Rafaela Silva.