O esporte como ferramenta de inclusão social no Brasil
Enviada em 14/04/2020
As Olimpíadas de 2016 revelaram atletas brasileiros que superaram barreiras e preconceitos, e conquistaram medalhas através de muita luta e sacrifícios pessoais. Nessa perspectiva, embora o IBGE aponte o esporte como uma das ferramentas mais importantes de inclusão social, não há programas de acesso massivo às práticas desportivas no Brasil. Diante disto, a democratização de acesso e consequente inclusão ao esporte são comprometidas. Nesse contexto, deve-se analisar como a discriminação e o caráter elitista do esporte, pela sociedade e pelo Estado, influenciam na problemática em questão.
Com efeito, a discriminação é um dos principais responsáveis pela não inclusão social no esporte. Isso acontece porque, ao longo da história, o esporte é repleto de discriminação, desde a Grécia Antiga, que proibia mulheres-atletas, até Hitler e os estádios brasileiros, que comparam negros a macacos. Além disso, segundo a Unicamp, o racismo no esporte é o racismo da sociedade, uma vez que prejudica o acesso do atleta a esta modalidade, gerando desigualdade e violando seu direito humano. Como consequência, a inclusão social no esporte torna-se comprometida como fator de melhoria de qualidade de vida e de combate ao sedentarismo e às doenças crônicas.
Outrossim, atrelado à discriminação, o caráter elitista do esporte também é um dos principais responsáveis pela não inclusão social. Isso acontece em virtude de, no Brasil, ser necessário um grande investimento financeiro para que um atleta participe de uma seleção. Segundo a “Superinteressante”, os “donos da bola”, por assim dizer, profissionalizam aqueles que têm mais tempo e recurso para investir na carreira profissional, a exemplo de esportes como hipismo, tênis e o futebol, este último o mais barato de todos. Como consequência, a exclusão social torna o esporte um direito humano menos importante para o cidadão, uma vez que dinheiro vale mais do que esforço e talento pessoal.
Torna-se evidente, portanto, que o esporte como ferramenta de inclusão social deve ser revisto no Brasil. Para tanto, o Governo Federal, em parceria com clubes desportivos e escolas, deve criar programas permanentes de inclusão social esportiva nas três etapas da educação básica, através do desenvolvimento de atividades desportivas e para-desportivas, acompanhadas de incentivo financeiro e seleção permanente de jovens talentos, de forma a garantir a democratização do acesso ao esporte e sua inclusão social. Além disso, Governo Federal deve promover, através das mídias, campanhas permanentes de combate à discriminação no esporte. Desta forma, com essas medidas, a inclusão social no esporte não será mais comprometida por tais problemáticas no cotidiano do país.