O esporte como ferramenta de inclusão social no Brasil

Enviada em 15/04/2020

De acordo com Arthur Schopenhauer, todo homem toma os limites de seu campo de visão como os limites do mundo. Nessa lógica, parcela da população que sofre com a desigualdade nas periferias brasileiras, sente-se em uma situação sem saída, estagnada e com baixa perspectiva. Entretanto, o esporte fundamenta-se como uma alternativa eficaz para a inclusão social. Isso ocorre ora devido a possibilidade de ganhos financeiro e autodesenvolvimento, ora em decorrência de reduzir o engajamento de crianças e adolescentes com o tráfico.

A priori, é imperioso relacionar a possibilidade de crescimento financeiro com a perspectiva de Gary Stahl. Segundo o representante da UNICEF no Brasil, o esporte deve ser parte de uma estratégia para envolver os jovens nos sistemas de ensino, principalmente de comunidades mais pobres ou suscetíveis a diferentes tipos de discriminação, como as pessoas com deficiência. Sob esse viés, os jovens  encontram no esporte uma oportunidade de crescimento pessoal e ganhos financeiros, em que antes não era vista como possível por meio do mercado de trabalho, já que o despreparo advindo da educação precária disponibilizada pelo Estado não possibilitava uma disputa justa por emprego.

A posteriori, é imperativo concatenar a diminuição da atividade de jovens no tráfico com o pensamento de Paulo Freire. Conforme o filósofo brasileiro, quando a educação não é libertadora, o sonho do oprimido é ser o opressor. Nesse contexto, ao se ver longe excluído socialmente e alvo de preconceito, inúmeros adolescentes que moram próximos às zonas de tráfico de drogas objetivam alcançar o “status” de traficante, para conquistar o que ,para eles, seria a única chance de atingir o sucesso e superar a desigualdade. Todavia, quando engajado em alguma modalidade esportiva promissora e, concomitantemente a isso, uma educação básica eficiente, o jovem passa a ver novas perspectivas longe da criminalidade.

Depreende-se, portanto, a essencialidade de maiores investimento no esporte. Necessita-se, urgentemente, que o Tribunal de Contas da União direcione capital que, por intermédio do Ministério da Cidadania, seja revertido na implementação de bases de desenvolvimento esportivo gratuito em áreas carentes. Isso deve ser feito por meio da criação de uma infraestrutura que abranja uma grande diversidade de esportes e a contratação de profissionais de educação física que terão como objetivo o desenvolvimento dos jovens na modalidade escolhida por eles, com o pré-requisito de ter um bom desempenho escolar. Com a finalidade de induzi-los a se interessarem pelos estudos e terem maior probabilidade de melhorarem de vida por meio de um esforço pessoal. Dessa forma, os limites do mundo deles se ampliaram, como afirma Arthur Schopenhauer.