O esporte como ferramenta de inclusão social no Brasil
Enviada em 16/04/2020
Na obra “Ensaio sobre a Cegueira”, do autor português José Saramago, é narrada a história de uma epidemia de cegueira branca, a qual se espalha por uma cidade e causa um grande colapso na vida das pessoas, fato que compromete as estruturas sociais. Hodiernamente, não longe da ficção, percebem-se aspectos semelhantes no que tange ao esporte — uma questão que, embora sirva como ferramenta de inclusão social, ainda sofre alguns entraves — visto que a sociedade brasileira parece não enxergar os impactos nocivos desse fato, o qual ocorre, infelizmente, devido não só à formação familiar mas também à negligência governamental.
Deve-se pontuar, mormente, que a formação familiar dos cidadãos está entre as causas da problemática. Consoante John Locke, filósofo inglês, todos nascem como uma Tábula Rasa, sem personalidade definida, sendo o meio responsável pela formação do caráter dos indivíduos. Sob essa égide, verifica-se a importância da prática de esportes na juventude (que deve ser incentivada por seus pais ou responsáveis), uma vez que tal ação pode contribuir de maneira muito positiva para a personalidade do jovem. Ademais, é possível ajudar, sobretudo, as pessoas mais vulneráveis — como crianças ou adolescentes em situação de violência ou pobreza.
Outrossim, a negligência governamental também contribui para esse problema que persiste no Brasil. A “Constituição Cidadã”, assim chamada a Constituição Federal de 1988, prevê, em seu artigo 217, que é dever do Estado fomentar práticas desportivas formais e não formais. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o documento preconiza, dado que as inúmeras dificuldades encontradas por atletas brasileiros (como a falta de condições de treinamento e dificuldades com patrocínios) demonstram o abandono e descaso dos governantes nesse sentido, fato que constitui um empecilho e contribui para a consolidação da vicissitude tratada.
Diante dos fatos supracitados, faz-se necessário, portanto, que sejam tomadas ações para resolver o impasse. Posto isso, cabe às escolas — como instituições garantidoras do direito constitucional à educação — promover práticas esportivas em seus ambientes, por meio de eventos, realizados anualmente, que envolvam o maior número de alunos, com o objetivo de garantir a inclusão social e mitigar os efeitos negativos da problemática. Assim, atenuar-se-á, em médio e longo prazo, os impactos nocivos do problema e a sociedade alcançará a cura para a cegueira presente na obra de Saramago.