O esporte como ferramenta de inclusão social no Brasil

Enviada em 04/05/2020

O pensamento complexo, defendido pelo filósofo Edgar Morin, tem como desígnio a junção dos saberes, a fim de auxiliar os cidadãos a encararem os desafios dos tempos modernos de maneira crítica e abrangente. No entanto, o desdém governamental e as desigualdades sociais, no Brasil, impedem que o esporte contribua para a inclusão social. Nesse contexto, evidencia-se a necessidade de serem tomadas atitudes com o intuito de alcançar uma sociedade integrada.

Em primeiro lugar, é indubitável que a questão constitucional e a sua aplicação estejam entre as causas do problema. Segundo o filósofo Aristóteles, a política deve ser utilizada de modo que, por meio da justiça, o equilíbrio seja alcançado na sociedade. De maneira análoga, é possível perceber que, no Brasil, a falta de incentivos governamentais no que concerne à prática de esportes, com a intenção de assegurar a população o seu acesso e, por consequência, impactar de maneira incisiva no empoderamento social, rompe essa harmonia. Mediante dados do Ministério da Educação (MEC), as escolas que realizam um trabalhado de fomento ao esporte têm, em função disso, diminuição de 60% no nível de evasão. Dado ao exposto, nota-se a relevância de políticas públicas bem planejadas.

Ademais, destaca-se a estratificação social, como fator impulsionador do problema. De acordo com o filósofo Durkheim, o fato social é uma maneira de agir e de pensar dotada de exterioridade, generalidade e coercitividade. Seguindo esse raciocínio, observa-se que além das desigualdades socioeconômicas (baixa renda, por exemplo) a que as pessoas estão submetidas, propiciando o distanciamento do esporte à realidade desses indivíduos, o âmbito social será afetado, uma vez que o potencial de inclusão e transformação possibilitado pelas modalidades esportivas não será alcançado e, com isso, as camadas menos favorecidas não usufruirão de tal direito e continuarão a mercê da marginalização, desemprego etc. Logo, tal fato representa um grave retrocesso para a população vigente, pois ela ficará sujeita à políticas públicas negligentes e vulneráveis.

Portanto, percebe-se que ainda há entraves para mitigar os efeitos da deficiência nas políticas públicas e a disparidade social na inserção dad prática esportivas.  Dessa forma, faz-se necessário que o MEC, em parceria com o Governo, crie, por meio de processo seletivo, uma comissão com profissionais capacitados (atletas etc.), a fim de buscar o cumprimento do direito de obter infraestrutura favorável para o desempenho de esportes nas escolas e afins. Destarte, com a finalidade de incentivar a valorização do esporte e, com isso, diminuir o índice de marginalização. Outrossim, o MEC, deve, por via de verbas públicas, investir em programas de orientação, realizado por pedagogos, com a intenção de debater a respeito da importância das modalidades esportivas para a inclusão social.