O esporte como ferramenta de inclusão social no Brasil
Enviada em 07/05/2020
O pensamento complexo, defendido pelo filósofo Edgar Morin, tem como desígnio a junção dos saberes, a fim de auxiliar os cidadãos a encararem os desafios dos tempos modernos de maneira crítica e abrangente. No entanto, o desdém governamental e as desigualdades sociais, no Brasil, impedem que o esporte contribua para a inclusão social. Nesse contexto, evidencia-se a necessidade de serem tomadas atitudes com o intuito de alcançar uma sociedade integrada.
Em primeiro lugar, é indubitável que a questão constitucional e a sua aplicação estejam entre as causas do problema. Segundo o filósofo Aristóteles, a política deve ser utilizada de modo que, por meio da justiça, o equilíbrio seja alcançado na sociedade. De maneira análoga, é possível perceber que, no Brasil, a falta de incentivos governamentais no que concerne à prática de esportes, com a intenção de assegurar a população o seu acesso, rompe essa harmonia. Mediante dados do Ministério da Educação (MEC), as escolas que realizam um trabalho de fomento ao esporte têm, em função disso, diminuição de 60% do nível de evasão. Dado ao exposto, nota-se a relevância de políticas públicas bem planejadas para impactar de maneira incisiva no empoderamento social.
Ademais, destaca-se a estratificação social como fator impulsionador do problema. De acordo com o filósofo Durkheim, o fato social é uma maneira de agir e de pensar dotada de exterioridade, coercitividade e generalidade. Seguindo esse raciocínio, observa-se que, além das desigualdades socioeconômicas a que as pessoas estão submetidas, será propicio, também, o distanciamento do esporte à realidade desses indivíduos. Além disso, o âmbito social será afetado, uma vez que o potencial de inclusão e transformação, possibilitado pelas modalidades esportivas, não será alcançado e, com isso, as camadas menos favorecidas não usufruirão de tal direito. Logo, tal fato representa um grave retrocesso para a população vigente, pois ela ficará sujeita à políticas públicas negligentes e vulneráveis e, por consequência, continuarão à mercê da marginalização, desemprego, etc.
Portanto, percebe-se que ainda há entraves para mitigar os efeitos das deficiências nas políticas públicas e as disparidade sociais na inserção das práticas esportivas. Dessa forma, faz-se necessário que o MEC, em parceira com o governo, crie, por meio de processo seletivo, uma comissão com profissionais capacitados (atletas, etc.), para buscar o cumprimento do direito de obter infraestrutura favorável para o desempenho de esportes nas escolas e afins. Destarte, com a finalidade de incentivar a valorização do esporte e, com isso, diminuir o índice de marginalização. Outrossim, o MEC deve, por via de verbas públicas, investir em programas de orientação, realizados por pedagogos, com o objetivo de debater a respeito da importância das modalidades esportivas como agente de inclusão social.