O esporte como ferramenta de inclusão social no Brasil

Enviada em 26/05/2020

Nos anos 80 o Brasil presenciava um dos grandes movimentos ideológicos de seu esporte: a Democracia Corinthiana. Essa mobilização constituiu-se no voto de todos os funcionários do clube nas decisões. Desse modo, ao inserir desde os trabalhadores manuais aos considerados mais importantes, provou as potencialidades do esporte como ferramenta de inclusão social no país. Contudo, esse artifício de inserção, quando desvirtuado de seus valores originais, pode tornar-se propulsor de desigualdades e exclusão, o que necessita, assim, discussões para seu combate.

Em primeiro lugar, é pertinente que se destaque a capacidade de o esporte ser utilizado como Capital Cultural. Esse termo, cunhado pelo sociólogo Pierre Bourdieu, descreve como a cultura, em uma sociedade dividida em classes, pode transformar-se em uma moeda de troca, com a qual, as classes superiores acentuam as diferenças. O conceito do sociólogo, dessa forma, quando concretizado no esporte, propicia a elitização de determinadas modalidades, como, por exemplo, o golfe, já que tal vertente esportiva é fomentada apenas nas classes altas. Por conseguinte, essa elitização potencializa as disparidades socioeconômicas e a segregação social outrora combatidas pelo ideário do clube paulista.

Outrossim, a deficitária ação do Estado no que tange a ações de inclusão de deficientes físicos no âmbito esportivo afigura-se como um revés. Sob esse espectro, o filósofo Pierre Levy discorreu sobre a importância de não se transformar instrumentos de democracia em mecanismos de opressão, o que relaciona-se à esfera desportiva na medida em que não é - na prática - um artifício inclusivo no país. Isso acontece porque as medidas governamentais são, em sua maioria, centradas no público não deficiente, os quais não necessitam adaptações para a realização das modalidades. Como consequência, investimentos no público portador de deficiência são delegados a posições subalternas.   Logo, é necessária ação do Estado nesse cenário para que realize-se a plena cidadania por tal grupo. Portanto, é imprescindível tornar o esporte em meio de inserção social no Brasil. Sendo assim, compete ao Superministério da Cidadania, a extensão de seus investimentos a modalidades diversificadas, inclusive as menos populares no Brasil, tornado-as acessíveis às minorias. Esses investimentos serão responsáveis por criar unidades poliesportivas que contarão com setores para portadores e não-portadores de deficiência, com periódicas interações entre tais grupos, visando à coesão social. Somente assim, os ideais do movimento corintiano realmente ocorrerão.