O esporte como ferramenta de inclusão social no Brasil

Enviada em 03/07/2020

Na obra “O Cortiço”, são abordadas características de um ambiente social determinista e marcado por exclusão.  Nos dias atuais, o esporte funciona como uma alternativa para mudar cenários ainda presenciados como o da obra. No entanto, sua efetividade ainda é prejudicada devido os fatores limitantes para o seu desenvolvimento, assim, analisar o cenário hodierno, é de suma importância para a valorização e o reconhecimento do poder de inclusão da prática esportiva.

Primeiramente, é válido destacar a relevante participação do esporte como ferramenta de integração social. Sob essa ótica, o estímulo ao desporto, contribui para o combate ao sedentarismo, aos riscos da evasão escolar e, sobretudo, dificulta a inserção do indivíduo ao mundo do crime - uma vez que, um dos pilares da ação esportiva é o trabalho de fatores como responsabilidade e a cooperação em grupo. Dentro dessa perspectiva, tal conjunto de benefícios corrobora para ascensão das camadas mais populares, a exemplo de nomes famosos como o lutador José Aldo.

Entretanto, é preciso levar em consideração também, os desafios enfrentados para o acesso ao esporte no país. Nesse sentido, a falta de manutenção em equipamentos esportivos, além da falta de incentivo à continuidade de programas desenvolvidos acarretam na complexidade do público em aderir às práticas desportivas. Dessa forma, tal conjuntura está visível na deterioração de alguns estádios construídos para a Copa do Mundo de 2014, os quais, segundo reportagem do portal Globo Esporte, não são aproveitados e estão inacessíveis à população, o que demonstra a ineficiência do Estado em garantir e manter os programas esportivos no Brasil.

Portanto, fica evidente que mesmo diante dos amplos benefícios oferecidos pelo esporte, é preciso levar em discussão resoluções para enfrentar os empecilhos atrelados à tal modalidade de inclusão. Dessa maneira, é necessário que o Governo Federal atue de forma a mitigar tais precaridades, de modo a agir por meio do Ministério da Cidadania na ampliação de projetos como o projeto “Segundo Tempo”, auxiliado por parcerias com entidades privadas, as quais podem administrar e oferecer equipamentos como quadras e aulas de diversas modalidades esportivas, com o objetivo de maior adesão da população, bem como a possibilidade de uma maior mobilidade social. Nesse contexto, somente assim cenários como o da obra naturalista serão cada vez menos vistos na sociedade brasileira.